A Câmara dos Deputados realizou na quinta-feira (28) o Seminário “Regulação de Stablecoins no Brasil”, no Auditório Freitas Nobre, em Brasília. O evento marcou um passo do Congresso Nacional para discutir o futuro dos pagamentos digitais e a criação de um marco regulatório para stablecoins – moedas digitais atreladas a ativos reais, como o dólar.
Stablecoins em foco: inovação e risco
O debate ganha relevância diante do crescimento regular desse tipo de câmbio no mercado. Segundo dados citados pelo deputado Áureo Ribeiro (SOLIDARIEDADE-RJ), autor do PL 4.308/2024, o USDT (Tether) representa 64% do volume de criptoativos declarados no Brasil, totalizando 192 bilhões de dólares. A popularidade se deve à estabilidade e ao baixo custo das transações, principalmente em operações internacionais.
“O Projeto de Lei 4308/2024 traz à tona a necessidade de equilibrar inovação e segurança no setor de criptoativos. (…) Muita gente pensa que o bitcoin é o principal ativo cripto em circulação, mas a realidade é diferente”, declarou Áureo em suas redes sociais.
Apesar do potencial, o tema preocupa autoridades de segurança. A Polícia Federal já identificou o uso de stablecoins em esquemas de lavagem de dinheiro, mostrando como facções criminosas utilizam a tecnologia para legitimar recursos ilícitos.
Debate: do Congresso ao setor privado
A abertura contou com a presença de parlamentares como Lafayette de Andrada (REPUBLICANOS-MG), Irajá (PSD-GO) e Eduardo Gomes (PL-SE), além do próprio Áureo Ribeiro. Eles apresentaram as perspectivas políticas em torno da tramitação do projeto de lei.
Na sequência, representantes do Banco Central e da Ripple discutiram o processo regulatório brasileiro em comparação com países da América Latina, como México, Argentina, Uruguai e Colômbia, além de referências internacionais como União Europeia, EUA e Suíça.
Outro painel recebeu especialistas da Bitso, Nubank e do escritório Paiva Gomes Advogados, que abordaram riscos para o consumidor e investidores. Também foram debatidas as diferenças entre stablecoins e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), além da necessidade de iniciativas de educação financeira.
Casos de uso prático também tiveram espaço no seminário, com Ripple, BTG Pactual e Circle apresentando soluções que utilizam stablecoins para reduzir custos em remessas internacionais, acelerar pagamentos no comércio exterior e servir como instrumentos eficazes em momentos de instabilidade cambial.
A infraestrutura tecnológica foi destaque, com painéis sobre blockchain, segurança, escalabilidade e interoperabilidade com sistemas tradicionais. O evento também abordou a aplicação da lei, com participação do Ministério Público do Rio de Janeiro e do Criptolab, entidades que discutiram técnicas de rastreamento e apreensão de ativos virtuais.
No encerramento, o Instituto Livre Mercado (ILM) e o Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD) concluíram o seminário com suas contribuições profissionais.
Equilíbrio entre inovação e regulação
Para Áureo Ribeiro, o desafio central é evitar que uma regulação excessivamente rígida crie barreiras à inovação e beneficie apenas os grandes players do sistema financeiro tradicional. Ele alerta que apenas 0,14% das transações com criptoativos no Brasil estão ligadas a atividades ilícitas, o que não justificaria uma legislação restritiva.
“O nosso papel no Parlamento é garantir que essa regulação seja transparente, equilibrada e voltada para o interesse público. Vamos construir uma regulação que proteja os cidadãos, incentive a inovação e fortaleça nossa economia”, defendeu o parlamentar.
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