Congresso aprova MP que abre mercado de energia para todos os consumidores

Senado aprova texto em votação simbólica após mudanças na Câmara; medida estabelece cronograma, limita CDE e prevê isenções fiscais para armazenamento de energia
Congresso aprova MP que abre mercado de energia para todos os consumidores
Congresso aprova MP que abre mercado de energia para todos os consumidores

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (30) a Medida Provisória (MP) 1.304/2025, que estabelece novas regras para o setor elétrico brasileiro e abre oficialmente o mercado livre de energia para todos os consumidores. Editada originalmente para conter o aumento nas tarifas devido a subsídios e à contratação obrigatória de usinas termelétricas, a MP foi ampliada durante a tramitação no Congresso Nacional e passou a tratar de diversos outros pontos estratégicos para o setor. O texto, aprovado na forma de projeto de lei de conversão, segue para sanção presidencial.

A medida foi aprovada pela comissão mista e logo depois pelo Plenário da Câmara dos Deputados com duas mudanças. Embora o prazo para aprovação fosse até 7 de novembro, a decisão foi de pautar a votação no Senado em seguida. O texto foi aprovado pelos senadores em votação simbólica, sem mudanças com relação à versão da Câmara, garantindo celeridade à tramitação.

Relator destaca consenso no tema

O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), destacou em entrevista coletiva após a votação no Senado o desafio de construir consensos sobre tema tão complexo. “A discussão foi longa na comissão, foram discutidos todos os aspectos. Fizemos aquilo que foi possível no regime de democracia e num regime de correlação de forças: modernização, reestruturação no setor, com compromisso de levar uma energia mais barata para o consumidor, reduzir a conta da CDE [Conta de Desenvolvimento Energético], fazer o reequilíbrio do sistema e enfrentar as discussões estratégicas do setor”, disse Braga.

Mercado livre: cronograma de implementação

Uma das principais alterações feitas no Congresso com relação ao texto original foi a inclusão da abertura do mercado livre de energia (Ambiente de Contratação Livre – ACL) para consumidores residenciais e comerciais. Isso significa que os consumidores poderão escolher seus fornecedores de energia elétrica, encerrando o monopólio das distribuidoras locais.

A implantação seguirá cronograma definido pelo projeto: após dois anos da entrada em vigor da lei no caso de indústria e comércio, e em três anos para os consumidores residenciais. Antes disso, devem ser adotadas medidas para conscientizar os consumidores sobre a opção de migração para o ACL e para regulamentar o Suprimento de Última Instância (SUI), que garantirá fornecimento de energia a consumidores que passem por situações emergenciais, como falência ou inadimplência do fornecedor.

Limitação da CDE e subsídios

Entre as preocupações do governo ao editar a medida estava o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que subsidia políticas públicas no setor elétrico, como a Tarifa Social de Energia Elétrica e o programa Luz para Todos. Com os subsídios para o setor, a CDE se aproxima de R$ 50 bilhões em 2025, impactando a tarifa final.

O texto estabelece limite para o valor total da CDE, com atualização pela inflação a partir de 2027. Pelo texto aprovado, 100% da receita das outorgas de concessão de hidrelétricas será destinada à CDE nos próximos sete anos, representando aporte superior a R$ 15 bilhões no fundo setorial para compensar parte dos subsídios e conter a alta nas tarifas.

Mudanças da Câmara

Vários destaques foram rejeitados pela Câmara, mas um deles acabou sendo aprovado pelos deputados. Com isso, ficou de fora do texto a cobrança de R$ 20 por 100 kWh sobre novos projetos de geração distribuída de energia, modalidade que engloba pequenos sistemas solares instalados em telhados e terrenos.

Outra mudança feita na Câmara foi a aprovação de emenda que assegura o ressarcimento pelo curtailment (corte ou limitação da produção) de energia eólica e solar. Para Braga, a mudança onera desnecessariamente o sistema.

“Na democracia cada um defende seu ponto de vista. Eu creio que a emenda aglutinativa aprovada na Câmara provocou ônus desnecessário ao sistema porque esses investidores que provocaram esse curtailment fizeram de forma consciente, então o risco deveria ser exclusivamente deles. Mas não foi essa a decisão da Câmara, e eu respeito a decisão”, declarou o relator.

Também foi aprovada a previsão de isenção fiscal para sistemas de armazenamento de energia (BESS), que poderão se beneficiar de isenção de IPI, PIS/Cofins e redução de imposto de importação, incentivando novas tecnologias.

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