Câmara debate regulação de trabalhadores por aplicativo com especialistas acadêmicos na terça (09)

A expectativa é que a audiência desta semana contribua para uma regulação que assegure direitos mínimos aos trabalhadores sem comprometer a inovação e a competitividade do setor de aplicativos no Brasil.
Câmara debate regulação de trabalhadores por aplicativo com especialistas acadêmicos na terça (09)
Foto: Correio Braziliense

Brasília, 05 de setembro de 2025

Atualizado em 06 de setembro de 2025 às 07h33

A Comissão Especial sobre Regulamentação dos Trabalhadores por Aplicativo irá realizar na próxima terça-feira (09), às 14h, uma audiência pública no Plenário 7 do Anexo II da Câmara dos Deputados com o objetivo de explorar, em conjunto com o ponto de vista acadêmico, as atuais relações de trabalho no meio digital, um tema sensível para a regulação e para o cenário do país há alguns anos.

Contexto: urgência da regulação

O Projeto de Lei Complementar (PLP) n° 152/2025 surge em um cenário de crescente judicialização envolvendo motoristas, entregadores e plataformas digitais. A falta de clareza sobre se há vínculo empregatício ou se a relação deve ser enquadrada como prestação de serviços autônomos impacta não apenas trabalhadores e empresas, mas também políticas públicas de trabalho, previdência e concorrência.

Atualmente, o debate divide opiniões entre quem defende a formalização com garantias trabalhistas clássicas e quem considera necessário preservar a flexibilidade dos modelos de negócios digitais. Nesse contexto, a audiência busca oferecer insumos técnicos e teóricos para subsidiar decisões eficazes em torno do tema, além de formular um parecer legislativo que esteja de acordo com a atual realidade brasileira.

Painel de convidados

A reunião contará com especialistas de diferentes áreas do Direito, da Economia e da Sociologia do Trabalho:

  • Paulo Roberto Dornelles Junior, juiz do Trabalho;
  • Renato Bignami, auditor-fiscal do Trabalho e pesquisador em Direito;
  • Leonardo Alves Rangel, representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA);
  • Rodrigo Saraiva Marinho, do Instituto Livre Mercado e do Instituto Mises;
  • Amanda Flávio de Oliveira, professora de Direito Regulatório;
  • Adriano Paranayba, economista e PhD em Transportes pela Universidade de Brasília (UnB);
  • Tatiana Guimarães Ferraz Andrade, docente da Universidade de São Paulo (USP) e Mackenzie;
  • Olívia de Quintana Pasqualeto, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Université de Bordeaux;
  • Ilan Fonseca, procurador do Ministério Público do Trabalho;
  • Representante do grupo de estudos “O trabalho além do Direito do Trabalho: dimensões da clandestinidade jurídico-laboral”, da USP.

A comissão se esforçou para reunir visões de áreas diversas entre si – do Direito do Trabalho tradicional, até perspectivas ligadas à economia liberal e à regulação internacional.

Implicações para trabalhadores e empresas

A audiência deve se concentrar em três grandes eixos:

  1. Definição jurídica da relação de trabalho: estabelecer se os motoristas e entregadores devem ser considerados empregados, autônomos ou enquadrados em uma nova categoria intermediária.
  2. Impactos econômicos e concorrenciais: esclarecer como diferentes modelos de regulação afetam a sustentabilidade das plataformas e a proteção social.
  3. Experiências internacionais e modelos híbridos: analisar casos reais de países que já adotaram legislações específicas para o setor, equilibrando direitos sociais e flexibilidade empresarial.

Relevância para a regulação econômica

Para o setor jurídico e regulatório, o tema é decisivo. A expectativa é que a audiência desta semana contribua para uma regulação que assegure direitos mínimos aos trabalhadores sem comprometer a inovação e a competitividade do setor de aplicativos no Brasil.

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