Câmara discute medidas para reduzir o preço das passagens aéreas no Brasil

Audiência pública na Comissão de Viação e Transportes analisa custos operacionais, falta de concorrência e voos regionais; parlamentares e especialistas apontam entraves na regulação e defendem incentivos à aviação regional
Voos quebram recorde por nove meses seguidos. Foto: Freepik

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (8), uma audiência pública sobre o aumento dos preços das passagens aéreas e as dificuldades enfrentadas tanto por empresas do setor quanto por consumidores. O debate, solicitado pelo deputado Leônidas Cristino (PDT-CE), destacou que os altos custos das tarifas impactam diretamente o direito de locomoção, a integração regional e o desenvolvimento econômico do país.

“Semanalmente, recebemos reclamações sobre preços abusivos, falta de respeito e desconsideração das empresas com os passageiros”, afirmou Cristino, ao abrir a reunião.

Custo do combustível e ambiente regulatório

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, os preços das passagens refletem a alta nos custos operacionais do setor. O querosene de aviação (QAV) representa cerca de 35% do custo total de um voo, seguido por despesas com manutenção de aeronaves, mão de obra especializada e tarifas aeroportuárias. Noman destacou ainda que impostos elevados e excesso de regulação agravam o cenário.

“O preço está alto para quem paga. Por outro lado, as três empresas que aqui estão tiveram que passar por processos de recuperação judicial, Latam, Gol e Azul. Se está caro para quem paga e pouco para quem recebe, há um problema no ambiente regulatório”, alertou.

Niman destacou a necessidade de revisão do modelo de competitividade no setor aéreo brasileiro, tema recorrente nas pautas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Ministério de Portos e Aeroportos.

Malha aérea restrita e desafios regionais

O deputado Julio Lopes (PP-RJ) chamou atenção para a redução da malha aérea nacional e a baixa cobertura de destinos regionais. Atualmente, o Brasil tem menos de 500 aeronaves comerciais em operação, e apenas 137 cidades contam com voos regulares — número muito inferior ao total de 5.578 municípios brasileiros.

“[Precisamos] usar não só o Fundo de Aviação Civil, mas todo o esforço do Parlamento brasileiro para que a gente tenha uma ampliação da malha e do número de aviões em voo no Brasil”, defendeu Lopes.

O parlamentar lembrou que a meta de atender 200 destinos regionais ainda não foi alcançada, e que a aviação regional é fundamental para a integração logística e social do país, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Ações e incentivos do governo

O secretário de Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck, afirmou que, em diversos estados, as rotas regionais só se mantêm graças a subsídios públicos. Ele citou o trecho Juazeiro do Norte–Fortaleza, operado de forma subvencionada pela Latam, e o voo Parnaíba–Fortaleza, que recebe apoio financeiro do governo do Piauí.

Já a diretora de Outorgas da Secretaria Nacional de Aviação Civil, Clarissa Barros, explicou que o governo tem buscado aumentar a concorrência e reduzir custos para companhias que operam no Brasil. Segundo ela, estão em curso iniciativas de financiamento e revisão regulatória para ampliar o acesso de novas empresas ao mercado.

O superintendente de Serviços Aéreos da Anac, Marco Porto, complementou afirmando que o órgão trabalha para atrair novas companhias aéreas e diminuir barreiras burocráticas.

“Tentar reduzir os custos para que isso acabe chegando no passageiro, que é o nosso cliente final”, declarou.

Um desafio estrutural

O debate evidenciou que o alto preço das passagens aéreas no Brasil decorre de um conjunto de fatores estruturais: carga tributária elevada, custo de combustível, regulação excessiva e falta de competitividade. Especialistas defendem que uma política nacional de aviação regional e a revisão de incentivos fiscais são medidas urgentes para reequilibrar o setor.

Além dos aspectos econômicos, a discussão tem implicações diretas sobre o direito à mobilidade, o turismo interno e o desenvolvimento de mercados locais — temas centrais para o planejamento estratégico da infraestrutura nacional.

Assista à audiência completa

O debate foi transmitido ao vivo na terça-feira (8) e contou com a participação de representantes do governo federal, do setor aéreo e do Parlamento.

A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara no YouTube.

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