Câmara debate impactos do mercado ilegal de bebidas no Brasil

Audiência pública discute prejuízos à saúde pública, à arrecadação e à concorrência; especialistas apontam necessidade de fortalecer fiscalização e retomar o Sicobe
Audiência pública discute prejuízos à saúde pública, à arrecadação e à concorrência; especialistas apontam necessidade de fortalecer fiscalização e retomar o Sicobe
Foto: Pexels

As Comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Saúde da Câmara dos Deputados definiram uma audiência pública para discutir os impactos econômicos, tributários e sanitários do mercado ilegal de bebidas alcoólicas no Brasil. O encontro foi solicitado pelos deputados Ana Pimentel (PT-MG) e Kiko Celeguim (PT-SP).

De acordo com os parlamentares, a falsificação e adulteração de bebidas, sobretudo com o uso de metanol, têm causado intoxicações, internações e mortes em diferentes estados, ao mesmo tempo em que geram perdas bilionárias à arrecadação pública e comprometem a concorrência leal na indústria de bebidas.

“O tema envolve não apenas a defesa da saúde pública, mas também a justiça tributária e a proteção da concorrência leal”, afirmam os autores do requerimento.

Falsificação e riscos à saúde pública

Nos últimos anos, o consumo de bebidas falsificadas ou adulteradas tem se tornado um problema de saúde pública no país. Casos recentes de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica usada ilegalmente na fabricação de bebidas, foram registrados em diferentes regiões, levando a mortes e sequelas neurológicas em consumidores.

O mercado ilegal de bebidas movimenta cerca de R$ 88 bilhões por ano, segundo dados do setor. Desse total, R$ 29 bilhões correspondem à sonegação de impostos, enquanto R$ 59 bilhões representam perdas diretas para a indústria formal. A circulação de produtos sem controle de origem também afeta a arrecadação de tributos, prejudica empregos formais e ameaça a integridade dos consumidores.

Sicobe pode recuperar R$ 15 bilhões em tributos

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a reativação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) – desativado em 2016 – poderia recuperar até R$ 15 bilhões anuais em tributos federais. O sistema, criado para monitorar eletronicamente a fabricação de bebidas, funcionava como uma ferramenta de rastreamento e fiscalização, reduzindo a evasão fiscal e o comércio clandestino.

A Federação Nacional das Indústrias de Bebidas (Fenab) e outras entidades do setor defendem a modernização e retomada do Sicobe, argumentando que o sistema fortalece a arrecadação pública sem aumentar alíquotas e garante maior transparência na cadeia produtiva.

Especialistas lembram que combater o mercado ilegal é também fortalecer as políticas públicas de saúde, já que parte da arrecadação tributária é destinada ao financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Justiça tributária e concorrência leal

Os parlamentares reforçam que o debate não se restringe à arrecadação, mas à justiça tributária e à igualdade de condições no mercado. Empresas que operam legalmente enfrentam uma carga tributária elevada e altos custos de conformidade, enquanto produtores clandestinos atuam à margem da lei, competindo de forma desleal.

A falsificação de bebidas também prejudica pequenos produtores que seguem a legislação, reduzindo a confiança do consumidor e afetando cadeias locais de produção, especialmente de cervejas artesanais e destilados regionais.

Próximos passos

A audiência pública tem transmissão ao vivo pela TV Câmara e pelo canal oficial no YouTube, com a participação de representantes do setor produtivo, órgãos de fiscalização, pesquisadores e entidades de defesa do consumidor.

O objetivo é debater propostas legislativas e medidas de controle que reforcem a fiscalização do mercado de bebidas, reduzam perdas fiscais e protejam a saúde da população.

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