Google deve receber primeira multa da UE devido à nova lei antitruste

Se confirmada, a decisão colocará o Google ao lado de Apple e Meta, já multadas em abril sob o mesmo regulamento. Essas ações sinalizam uma mudança estrutural no cenário digital europeu, com impacto direto nas estratégias de mercado global
CMA reavalia exigências feitas ao Google sobre proteção de dados e concorrência
Imagem: Annegret Hilse/Reuters

A Alphabet, controladora do Google, está prestes a enfrentar sua primeira multa sob o Digital Markets Act (DMA), a nova lei europeia de regulação das gigantes de tecnologia. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Comissão Europeia – braço executivo e antitruste da União Europeia – já elabora a decisão que pode ser anunciada nos próximos meses.

Entenda o caso

O caso se soma a uma sanção recente de 2,95 bilhões de euros aplicada neste mês, sob regras mais antigas, pela prática de favorecer seus próprios serviços de tecnologia de anúncios e reforçar o domínio da plataforma AdX em detrimento de concorrentes e publishers online.

Agora, a investigação se concentra em acusações de que o Google privilegia seus próprios mecanismos verticais de busca – como Google Shopping, Google Flights e Google Hotels – prejudicando rivais em setores estratégicos de comércio, turismo e varejo.

O DMA, em vigor desde 2023, estabelece regras específicas para conter abusos de mercado por parte dos chamados “gatekeepers” digitais. A legislação busca reduzir a concentração de poder das big techs, ampliar a concorrência e garantir maior liberdade de escolha aos consumidores.

As penalidades podem alcançar até 10% do faturamento global anual das empresas infratoras, o que representa um risco bilionário para a companhia.

Postura da empresa

Apesar das críticas, o Google apresentou propostas para tentar solucionar as preocupações regulatórias, mas não conseguiu convencer a Comissão nem os setores afetados. Sites de comparação de preços, companhias aéreas, hotéis e varejistas continuam denunciando distorções concorrenciais.

“Enquanto buscamos feedback ao longo do processo, precisamos encerrar este debate sem que os interesses de poucos sejam priorizados sobre os de milhões de pessoas e negócios na Europa que se beneficiam da Pesquisa”, declarou Oliver Bethell, diretor sênior de competição do Google, em comunicado anterior.

Especialistas afirmam que a União Europeia não deve recuar diante da pressão dos Estados Unidos. O governo Trump tem criticado abertamente a ofensiva europeia contra as big techs, em meio a tensões comerciais entre os dois blocos. Ainda assim, autoridades em Bruxelas reiteram que o combate a práticas anticompetitivas seguirá firme.

Uma caçada às infrações de Big Techs

Se confirmada, a decisão colocará o Google ao lado de Apple e Meta, já multadas em abril sob o mesmo regulamento. Juntas, essas ações sinalizam uma mudança estrutural no cenário digital europeu, com impacto direto nas estratégias de mercado global.

Para empresas de tecnologia e usuários, a disputa expõe um ponto central: o equilíbrio entre inovação, concorrência leal e proteção dos consumidores em um ecossistema dominado por poucos – porém poderosos – gigantes.Para acompanhar mais análises sobre acesse também os conteúdos relacionados no portal da Webadvocacy.

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