A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal realiza nesta quarta-feira (17), às 10h, uma audiência pública sobre mineração e beneficiamento de terras raras, minerais estratégicos para a indústria tecnológica e para a transição energética global. O encontro foi solicitado pelo senador Flávio Arns (PSB-PR) e terá a presença de representantes dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Fazenda, de Minas e Energia (MME) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O objetivo é discutir os desafios, gargalos e oportunidades da cadeia produtiva, já que, embora o Brasil detenha a segunda maior reserva mundial desses minerais, responde por apenas 0,02% da produção global.
“É fundamental que o Senado tenha acesso a informações técnicas qualificadas sobre o estágio atual dessa cadeia produtiva, suas tecnologias, gargalos e oportunidades”, afirmou o senador Flávio Arns ao justificar o pedido.
O que são terras raras?
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de ímãs permanentes, utilizados em turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, smartphones, câmeras digitais, LEDs e até equipamentos militares como submarinos e sistemas de laser.
Apesar do nome, não são escassos, mas aparecem na natureza em baixas concentrações, o que torna sua exploração economicamente complexa.
Hoje, a China concentra 40% das reservas e 70% da produção mundial, dominando mais de 90% do refino e da fabricação de ímãs – etapa final mais lucrativa da cadeia.
Brasil: potencial grande, produção mínima
O Brasil detém 19% das reservas globais de terras raras, ficando atrás apenas da China. Porém, a produção nacional ainda é contida: 80 toneladas em 2024, de um total de 350 mil produzidas mundialmente.
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a demanda no país deve crescer seis vezes até 2034, saltando de 1 mil para mais de 6 mil toneladas anuais. Esse avanço deverá ser impulsionado pela eletrificação da frota e pela expansão da energia renovável, em alinhamento político com o Acordo de Paris.
André Pimenta de Faria, coordenador do laboratório-fábrica de ímãs de terras raras do Instituto SENAI de Inovação em Processamento Mineral, em Minas Gerais, enfatizou o desafio:
“O mundo começou a olhar mais para esses elementos por questões geopolíticas, de garantia do fornecimento de matéria-prima, e por causa da mobilidade elétrica e das energias renováveis. […] O conhecimento ainda está concentrado na academia, e são necessários especialistas e técnicos para trabalhar na operação”, destacou o pesquisador.
A corrida pelas terras raras no Brasil
Um grande destaque para o Brasil é que o protagonismo nacional tem atraído o mercado de mineradoras, além de investidores em escala internacional para diferentes territórios do país. A empresa Mineração Serra Verde (SVPM) é uma mineradora brasileira com sede na Suíça que extrai terras raras no Brasil, sendo a única operação em escala fora da Ásia a produzir os Elementos de Terras Raras (ETRs) magnéticos críticos. A empresa tem como objetivo reduzir a dependência global das cadeias de suprimentos asiáticas, exportando seus minerais para diversas regiões do mundo, como os Estados Unidos e a Europa.
A Serra Verde atualmente opera uma mina em Goiás com capacidade de 5 mil toneladas anuais. Outras companhias – como Aclara Resources, Meteoric Resources, Viridis Mining and Minerals e Cabo Verde – já desenvolvem projetos em estados como Goiás e Minas Gerais, muitas delas listadas em bolsas de valores no Canadá e na Austrália para captar recursos.
Em setembro de 2024, a Serra Verde exportou apenas 60 toneladas, número que subiu para 419 toneladas em fevereiro de 2025, um nível que ainda é considerado modesto diante do potencial brasileiro.
Minérios críticos e geopolítica global
As terras raras fazem parte do grupo de minerais críticos e estratégicos, ao lado de cobre, níquel, grafite, cobalto e lítio. A classificação varia conforme o país: o nióbio, por exemplo, é considerado crítico pela União Europeia e pelos EUA, mas estratégico pelo Brasil.
Essa diferença reflete diretamente nas políticas de incentivo e investimento. Países como Canadá, Estados Unidos e União Europeia já estruturaram planos bilionários para garantir segurança de suprimento desses minerais diante da corrida global pela inteligência artificial, pela mobilidade elétrica e pela transição energética.
Participação cidadã e próximos passos
O debate no Senado será interativo: cidadãos poderão enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria (0800 061 2211) ou pelo Portal e-Cidadania. Além disso, o sistema gera certificado de participação válido como atividade complementar em cursos universitários.Acompanhe a cobertura completa da audiência no Portal do Senado Federal.
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