O suco de laranja, uma das principais commodities brasileiras, vive um momento de alta valorização de preço nos mercados internacionais. O motivo é o avanço do greening, um tipo de praga que afeta quase metade do cinturão citrícola do Brasil, maior exportador mundial do produto.
Entenda a crise
A doença bacteriana provoca a queda prematura dos frutos, ameaça a saúde das árvores, e motivou a revisão da estimativa para a safra de 2025 e 2026, agora projetada em 306,7 milhões de caixas – uma redução de 2,6% em relação à previsão anterior, segundo levantamento anual do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
Além do impacto direto na produção, o cenário foi inevitavelmente afetado pela tensão em torno da política comercial dos Estados Unidos, um dos grandes países compradores da laranja nacional. Recentemente, a Casa Branca cogitou aplicar uma sobretaxa de 50% sobre o suco brasileiro, o que poderia ter afetado de forma dramática as exportações. A medida, no entanto, acabou revertida, e o produto manteve apenas a alíquota padrão de 10%. Esse alívio tarifário garantiu certo fôlego ao setor em meio à crise sanitária nas plantações.
Contratos em alta e impacto no mercado global
Os contratos futuros do suco de laranja em Nova York chegaram a subir 2,4%, alcançando US$ 2,559 por libra – maior patamar desde 28 de agosto –, refletindo a preocupação dos investidores com a oferta global. Embora tenha devolvido parte dos ganhos, o movimento sinaliza como a disseminação do greening está reorganizando as jogadas do mercado.
A praga, também conhecida como huanglongbing (HLB), não é exclusividade do Brasil: produtores nos Estados Unidos e em outros países enfrentam há anos as mesmas dificuldades. O avanço contínuo da doença compromete a estabilidade da cadeia global de cítricos e reforça a necessidade de políticas coordenadas de pesquisa e preservação ambiental.
Ações de controle e a esperança no campo
Apesar do cenário desafiador, pesquisadores e citricultores brasileiros têm registrado avanços no enfrentamento ao greening. O pesquisador do Fundecitrus, Renato Bassanezi, explica que houve uma mudança significativa na postura dos produtores.
Os citricultores passaram a escolher áreas de cultivo com menor risco de contaminação e retomaram a erradicação de árvores doentes, enquanto o controle de pragas também reduziu a população do inseto que transmite a doença, segundo o pesquisador.
Embora este seja o oitavo ano consecutivo de avanço do greening, a taxa de infecção desacelerou pelo segundo ano seguido, resultado direto das medidas de controle adotadas no campo.
Brasil entre riscos e oportunidades
O episódio reforça como o setor agrícola brasileiro está cada vez mais suscetível a dinâmicas internacionais. O país, que também já sofreu com ameaças tarifárias em setores como a celulose e o café, precisa equilibrar a competitividade externa com a sustentabilidade da produção.
O preço elevado do suco de laranja pode beneficiar o produtor no curto prazo, mas a sustentabilidade da produção depende do avanço da ciência, da cooperação internacional e da adoção de práticas cada vez mais rigorosas de manejo.
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