Disputa entre apps de delivery vai ao CADE e à Justiça

Aplicativos de entrega travam disputa concorrencial e jurídica no Brasil por acusações que envolvem cláusulas restritivas, subsídios predatórios e vazamento de dados corporativos.

A disputa jurídica e concorrencial entre os principais aplicativos de entrega de comida no Brasil atingiu um novo patamar, envolvendo discussões que vão desde táticas agressivas de mercado até acusações de desvio de dados sigilosos. Três frentes principais resumem o atual embate que tramita nos bastidores econômicos e no Poder Judiciário.

Bloqueios contratuais e barreiras no mercado

Uma das principais frentes envolve o questionamento de regras que impedem os estabelecimentos comerciais de diversificarem seus canais de venda. A Keeta contesta as exigências de exclusividade praticadas pela 99Food, argumentando que tais restrições inviabilizam a presença de pequenos e médios restaurantes em múltiplos ecossistemas digitais. Embora o órgão de defesa econômica brasileiro (Cade) tenha recusado a suspensão imediata desses contratos por falta de dados conclusivos, as investigações continuam ativas para avaliar o impacto real dessa barreira na livre concorrência.

Subsídios agressivos sob suspeita

Por outro lado, o modelo de financiamento adotado pelas novas entrantes também se tornou alvo de questionamento. O iFood acionou as autoridades regulatórias sob a justificativa de que suas concorrentes diretas estão operando com prejuízos planejados e deliberados. A acusação aponta que a distribuição massiva de cupons de alto valor e o custeio de descontos desproporcionais servem apenas para asfixiar competidores locais e inflar de forma artificial a participação dessas marcas asiáticas no território nacional.

Cooptação de informações secretas

O conflito mais severo abandonou o campo da rivalidade comercial e virou caso de polícia e de processos cíveis em São Paulo. O iFood alega ser vítima de uma rede estruturada de vazamento de dados, na qual consultorias internacionais recrutavam seus funcionários e antigos gestores com remunerações atraentes em moeda estrangeira. O objetivo desses contatos seria obter métricas financeiras, detalhes logísticos e segredos operacionais. Mandados de busca já foram cumpridos contra suspeitos de intermediar o repasse de relatórios internos.

Em contrapartida, as empresas acusadas rejeitam os argumentos. A Keeta classifica as ações judiciais como uma estratégia de distração jurídica feita pela líder de mercado para frear a inovação e o crescimento de novas alternativas de entrega.


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