Câmara aprova adesão do Brasil à Convenção TIR e facilita transporte internacional de cargas

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (9) o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 655/2025, que formaliza a adesão do Brasil à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR (Transportes Internacionais Rodoviários), também conhecida como Convenção TIR. O texto, relatado pelo deputado Alex Manente (Cidadania-SP), segue agora para análise do Senado Federal.

Importância do sistema TIR

Criado a partir de planos da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1949 e atualizado em 1975, o Regime TIR é o principal acordo internacional de transporte rodoviário de cargas. Ele permite que caminhões e contêineres circulem entre países signatários com selos alfandegários reconhecidos reciprocamente, eliminando inspeções e trâmites repetitivos em cada fronteira.

Hoje, cerca de 80 países já fazem parte da Convenção, que funciona como uma parceria público-privada global coordenada pela União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU). A adesão do Brasil representa um passo à frente na integração logística e comercial internacional, aproximando o país das principais rotas de transporte da América do Sul e de outros continentes.

De acordo com o governo brasileiro, a entrada no sistema “proporcionará maior agilidade nos procedimentos relacionados ao controle aduaneiro nas fronteiras e reduzirá a burocracia aplicável ao transporte internacional”.

Como o TIR funciona na prática

O sistema baseia-se em cinco pilares:

  1. Veículos e contêineres aprovados, que garantem o lacre e a integridade da carga.
  2. Sstema internacional de garantia, que cobre possíveis impostos e taxas não pagas.
  3. Uso da Caderneta TIR, documento padronizado que substitui diversas declarações alfandegárias.
  4. Reconhecimento mútuo dos controles aduaneiros, evitando múltiplas inspeções.
  5. Acesso controlado ao regime, concedido apenas a transportadores aprovados pelas autoridades nacionais.

Segundo a própria IRU, o sistema facilita o comércio internacional, garante o pagamento de taxas alfandegárias e reduz custos logísticos, além de ser altamente informatizado, com ferramentas como o Real Time SafeTIR, que rastreiam as operações em tempo real e reforçam a segurança.

Impactos econômicos e logísticos para o Brasil

A adesão à Convenção TIR deve ter impacto direto sobre o comércio exterior e a competitividade logística do país. O modelo permitirá ao Brasil reduzir o tempo de trânsito de cargas, simplificar trâmites aduaneiros e diminuir custos operacionais em portos, rodovias e fronteiras terrestres – especialmente em operações com países vizinhos do Mercosul.

Além disso, a participação no sistema facilitará o transporte multimodal. Especialistas em comércio internacional avaliam que o Brasil tende a atrair mais operadores logísticos globais, já que o regime é reconhecido por sua confiabilidade e padronização internacional. 

O sistema também contribui para o cumprimento de metas de facilitação do comércio previstas pela Organização Mundial das Alfândegas (OMa) e pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que muda para transportadores e empresas

Com a implementação do sistema, transportadores brasileiros credenciados poderão operar rotas internacionais com maior previsibilidade e rapidez, utilizando as Cadernetas TIR em substituição a diversos documentos alfandegários.

O modelo trará benefícios também para empresas exportadoras e importadoras, que terão redução de custos e prazos em suas operações, além de maior segurança jurídica nos trâmites entre fronteiras.

O sistema TIR também incentiva a transformação digital da logística internacional, integrando-se a ferramentas de gestão de risco, pré-declarações eletrônicas e plataformas de rastreamento em tempo real.

Trâmite legislativo e próximos passos

O PDL 655/25 passou por todas as comissões temáticas da Câmara antes de ser aprovado no Plenário. Relator da proposta, o deputado Alex Manente (Cidadania-SP) destacou o caráter técnico e estratégico da adesão brasileira.

“A entrada do país no sistema TIR reforça nossa inserção nas cadeias logísticas globais e aproxima o Brasil dos padrões de eficiência aduaneira internacionais”, afirmou Manente.O texto segue agora para o Senado Federal, última etapa antes da promulgação. Após a aprovação, o Brasil passará a ser oficialmente um dos Estados Contratantes da Convenção TIR, juntando-se a nações como China, Índia, Turquia, Alemanha e França.

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