A Booking Holdings se posicionou contra decisões recentes da União Europeia, classificando como “especulativo e sem fundamento” o bloqueio da Comissão Europeia sobre a aquisição da ETraveli, avaliada em €1,63 bilhão (cerca de R$10,619 bilhões). Em audiência nesta terça-feira (8), representantes da multinacional norte-americana apresentaram seus argumentos a um painel de juízes do Tribunal Geral da UE.
Entenda o caso
A Comissão Europeia vetou a negociação em 2023, alegando que a aquisição fortaleceria ainda mais a posição dominante da Booking no mercado de reservas de hotéis online e prejudicaria a concorrência. Para o órgão antitruste europeu, a combinação das operações criaria um ecossistema de viagens poderoso demais, impossibilitando que concorrentes menores atraíssem clientes e parceiros hoteleiros.
“O fortalecimento da posição dominante da Booking decorre do fato de que a transação tornaria mais difícil para os concorrentes adquirirem clientes e hotéis e crescerem”, afirmou o advogado da Comissão, Mateo Domecq, segundo a Reuters.
Booking rebate: “Faltou análise concreta”
Por outro lado, a Booking acusa a Comissão de basear sua decisão em “conceitos abstratos”, sem apresentar evidências sólidas de danos à concorrência. O advogado da empresa, Daniel Beard, criticou a ausência de uma análise mais aprofundada:
“Ainda é preciso identificar corretamente a esfera contrafactual, e a Comissão não fez isso”, afirmou Beard durante a audiência.
Nos últimos anos, a UE vem endurecendo as regras antitruste, especialmente para evitar que big techs (como Google, Apple, Amazon, Meta e Microsoft) comprem empresas menores e eliminem concorrência futura – o que eles chamam de killer acquisitions. A preocupação é que essas aquisições criem “ecossistemas fechados” onde só os grandes players conseguem sobreviver.
A Booking defende que a aquisição da empresa sueca ETraveli – controladora de marcas como Gotogate, Mytrip e da distribuidora de conteúdo aéreo TripStack – seria uma estratégia legítima para diversificar sua atuação no mercado de viagens e não configuraria uma “killer acquisition”.
Contudo, o caso Booking-ETraveli entra nessa lógica: a Comissão entendeu que a Booking, já líder no mercado de reservas online, ficaria ainda mais dominante se adquirisse um player relevante do setor aéreo, o que poderia fechar o mercado para concorrentes menores e startups de viagens.
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