Relatório da Anatel mostra avanço do 5G

O relatório da Anatel do 3T2026 aponta crescimento do 5G e da fibra óptica no varejo, cumprimento das metas de desconcentração nacional e forte liderança da Inteligência Artificial nos debates regulatórios.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou o Relatório de Monitoramento da Competição do terceiro trimestre de 2026 (3T2026), consolidando o diagnóstico dos mercados de varejo e atacado no país. Os dados apontam que o Serviço Móvel Pessoal (SMP) alcançou 280,5 milhões de acessos totais, registrando alta de 1,3% no trimestre e a adição de 11 milhão de conexões em 12 meses. Esse avanço foi impulsionado pela expansão da tecnologia 5G, que já representa 24,9% da base com 69,8 milhões de acessos, e pela migração contínua dos usuários para planos pós-pagos. No segmento de Banda Larga Fixa (SCM), o Brasil encerrou o período com 57,9 milhões de acessos, sob o forte domínio da fibra óptica, que responde por 46,92 milhões de conexões. A Claro lidera a banda larga com 18,8% de participação, seguida pela Vivo, enquanto a NIO recuou para 6,0%.

O levantamento estatístico detalha o nível de concentração econômica por meio do Índice de Herfindahl-Hirschman (HHI). Na telefonia móvel, o HHI nacional atingiu 0,3048, cumprindo a meta regulatória de teto inferior a 0,3594 até 2027. Contudo, o cenário municipal revela profundas assimetrias: em cidades com até 30 mil habitantes, o índice médio salta para 0,60, evidenciando alta concentração e municípios com apenas uma prestadora ativa. Além disso, a Razão de Concentração (CR3) aponta que apenas três grandes operadoras dominam mais de 90% dos acessos móveis em 5.429 municípios, o que equivale a praticamente 98% das cidades brasileiras. Em contrapartida, a banda larga fixa apresenta maior competitividade nacional, com HHI de 0,0650, embora os pequenos municípios também sofram restrições de concorrência com média de 0,44 no índice.

No ambiente de atacado e infraestrutura, as negociações baseadas em Ofertas de Referência de Produtos de Atacado (ORPA) mantiveram-se concentradas em interconexão fixa e móvel, com o registro histórico de 5.392 ativações concluídas no ano. No campo corporativo e de governança, o Conselho Diretor da agência aprovou a anuência prévia para a Oi Serviços Telefônicos, cujo fechamento definitivo ainda depende do cumprimento de condicionamentos regulatórios. Outro movimento societário de grande impacto setorial destacado no trimestre foi a transferência do controle indireto da TIM Brasil para o grupo Poste Italiane. Em paralelo, as finanças das grandes teles mostraram solidez no segundo trimestre de 2026, com a Vivo lucrando R$ 1,57 bilhão, a TIM superando o marco de R$ 1 bilhão e a Claro faturando R$ 13,4 bilhões em receita.

O relatório conclui destacando a evolução da agenda regulatória no Congresso, evidenciada pelo avanço do Projeto de Lei dos Mercados Digitais na Câmara dos Deputados, que propõe atribuir a regulação da concorrência dessas plataformas ao CADE. O período também foi marcado por discussões intensas sobre regras de compartilhamento de custos de redes (fair share) e a criação de diretrizes voltadas à proteção de crianças e adolescentes nos ambientes virtuais.

Acesse o RELATÓRIO DE MONITORAMENTO DA COMPETIÇÃO – 3T2026.


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