Comissão Europeia aprova aquisição da Spirit pela Boeing com restrições

Medidas visam garantir concorrência e segurança na cadeia de fornecimento do setor aeronáutico
Comissão Europeia aprova aquisição da Spirit pela Boeing com restrições
Acordo entre Boeing e Spirit é aprovado pela União Europeia com exigência de venda de ativos à Airbus e à CTRM. Imagem: IAM Union

Brasília, 15 de outubro de 2025

A Comissão Europeia aprovou com restrições a aquisição da Spirit AeroSystems Holdings pela Boeing Company, após concluir que os compromissos propostos pelas empresas são suficientes para preservar a concorrência no mercado global de componentes aeronáuticos. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (13), e encerra a análise do caso sob o Regulamento Europeu de Concentrações.

Durante a investigação, o órgão europeu identificou riscos de que a operação concedesse à Boeing poder excessivo sobre o fornecimento de aeroestruturas, peças fundamentais usadas na fabricação de grandes aeronaves comerciais. A Spirit, sediada nos Estados Unidos, é uma das principais fornecedoras desses componentes tanto para a própria Boeing quanto para sua rival europeia Airbus.

De acordo com a Comissão, a incorporação da Spirit poderia dar à Boeing incentivos para restringir o fornecimento ou deteriorar as condições comerciais da Airbus, além de permitir o acesso a informações estratégicas da concorrente.

A vice-presidente executiva Teresa Ribera destacou que uma limitação desse tipo poderia impactar toda a cadeia produtiva e até os consumidores finais, já que “reduzir a oferta de peças e aumentar custos na indústria aeronáutica tende a refletir em passagens mais caras para os passageiros europeus”.

Boeing terá de vender parte dos ativos da Spirit

Para dissipar essas preocupações, a Boeing apresentou remédios estruturais. A companhia se comprometeu a vender todos os negócios da Spirit atualmente dedicados à Airbus, incluindo ativos e equipes, à própria fabricante europeia.

Além disso, a empresa concordou em alienar a unidade da Spirit na Malásia para a Composites Technology Research Malaysia (CTRM), especializada em materiais compostos para o setor aeroespacial.

Com essas medidas, a Comissão avaliou que a Airbus poderá internalizar parte de sua cadeia de fornecimento, tornando-a mais estável, enquanto a CTRM passa a atuar como um novo agente competitivo no segmento de aeroestruturas.

Aprovação condicionada e monitoramento independente

A decisão final considerou o feedback positivo do mercado sobre as medidas propostas e determinou que a operação só poderá ser concluída com o cumprimento integral dos compromissos assumidos.

A Airbus e a CTRM foram reconhecidas como compradoras adequadas, por reunirem independência, capacidade financeira e expertise técnica suficientes para manter a competitividade das atividades adquiridas. Um tutor independente será designado para acompanhar a execução das condições sob a supervisão da Comissão Europeia.

Fonte: European Commission

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