Brasília, 18 de junho de 2025 – Atualizado em 19/06/2025 às 08h31
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) vai julgar a proposta de aquisição do controle total do Hospital Policlínica Cascavel S.A. pela Unimed de Cascavel – Cooperativa de Trabalho Médico, localizados no estado do Paraná. A operação foi analisada pela Superintendência-Geral (SG), que recomendou sua reprovação ao Tribunal Administrativo do órgão antitruste.
A operação prevê a aquisição de 100% do capital social e votante do Hospital Policlínica pela Unimed Cascavel, sob justificativas das partes de aumento de eficiência operacional, qualidade no atendimento e preços mais competitivos.
A Unimed de Cascavel atua na oferta de planos de saúde médico-hospitalares na região, além de manter centros próprios de atenção à saúde. Já o Hospital Policlínica presta serviços ambulatoriais, hospitalares e de urgência/emergência. A operação, portanto, implicaria na integração vertical entre uma operadora de planos de saúde e um prestador relevante de serviços hospitalares na mesma localidade.
Riscos de fechamento de mercado motivam recomendação de reprovação
A SG identificou que a operação, registrada sob o Ato de Concentração nº 08700.009192/2024-10, pode gerar efeitos negativos à concorrência no município de Cascavel/PR. De acordo com o parecer técnico, a Unimed já detém uma posição significativa no mercado de planos de saúde da região, com participação superior a 83% em 2023. Além disso, o Hospital Policlínica, com 34% dos leitos não-SUS na cidade, também figura entre os dois principais prestadores hospitalares locais.
A análise apontou que a operação daria à Unimed tanto a capacidade quanto os incentivos para excluir concorrentes do mercado, por meio do descredenciamento de outras operadoras de planos de saúde da rede da Policlínica. Esse movimento poderia tornar os planos concorrentes menos atrativos e prejudicar a competição na região.
Teste de mercado reforça preocupações
Durante o processo, a SG consultou outras operadoras atuantes no município. A maioria alertou para os riscos de prejuízos concorrenciais, citando a possibilidade de redução de acesso à população, desequilíbrios na negociação com prestadores e fortalecimento excessivo da Unimed. Apenas uma operadora de planos de saúde (OPS) viu a operação com bons olhos, apontando possíveis ganhos de qualidade e inovação.
Apesar de a Superintendência reconhecer que outros hospitais em Cascavel podem absorver parte da demanda deslocada, ela avaliou que o impacto concorrencial da operação seria significativo, e recomendou ao Tribunal do CADE a sua rejeição.
Próximos passos
A operação será julgada pelo Tribunal do CADE na 250ª Sessão Ordinária de Julgamento, que acontecerá na próxima quarta-feira (25), a partir das 10h. O conselheiro Victor Oliveira Fernandes está encarregado da relatoria do caso.
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