Brasília, 2 de junho de 2025
O Google anunciou que vai recorrer da decisão judicial que reconheceu seu domínio ilegal no mercado de buscas online. Em publicação na rede social X, a empresa afirmou que as medidas propostas pela Justiça americana “causariam prejuízos aos consumidores”.
A empresa argumenta que as soluções apresentadas pela Justiça não apenas comprometem sua capacidade de inovar, como também impõem riscos à experiência dos usuários ao limitar o acesso a serviços integrados e eficientes.
Para o Google, “as medidas propostas pelo DOJ (Departamento de Justiça) vão muito além da decisão do Tribunal e prejudicam consumidores, empresas e a liderança tecnológica dos EUA.”
Caso começou em 2020 e pode ter impactos amplos
O processo antitruste foi iniciado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) em 2020, e é considerado um dos mais relevantes envolvendo uma empresa de tecnologia nos últimos anos. O governo norte-americano acusa o Google de manter um monopólio ilegal ao garantir, por meio de acordos com fabricantes de dispositivos como Apple e Samsung, que seu buscador seja o padrão em aparelhos móveis e navegadores.
Entre as soluções propostas pelo DOJ estão a abertura da tecnologia de busca para licenciamento por terceiros, a proibição desses acordos exclusivos e até a venda do navegador Chrome, além do projeto de código aberto Chromium.
Google contesta medidas e propõe alternativas
A gigante da tecnologia defende que as propostas do governo colocariam em risco a privacidade dos usuários, ao entregar dados a terceiros e fortalecer concorrentes com maior poder financeiro. Como alternativa, o Google sugeriu flexibilizar seus contratos para permitir a presença de outros mecanismos de busca nos dispositivos e criar um comitê independente para fiscalizar suas práticas.
Em agosto de 2024, o juiz federal Amit Mehta, do Distrito de Columbia, deu razão ao Departamento de Justiça. Ele entendeu que o domínio do Google no mercado de buscas é reforçado por sua posse do navegador Chrome, o que amplia ainda mais sua vantagem competitiva e sua receita publicitária.
Decisão pode influenciar futuro da inteligência artificial
Além das implicações para o setor de buscas, o desfecho do caso pode moldar o desenvolvimento da inteligência artificial. O Google argumenta que a decisão judicial abre espaço para que concorrentes equipados com ferramentas de IA, como chatbots, assumam posições de liderança no setor.
“Está muito claro que o setor de IA é altamente competitivo hoje: inúmeros rivais no setor estão crescendo rapidamente e conquistando usuários e distribuição sem intervenção governamental.”, disse o Google em seu post no X.
Segunda matéria do Engadget, durante o julgamento, um executivo da OpenAI chegou a declarar interesse na compra do navegador Chrome, caso o Google seja obrigado a vendê-lo.
Google é investigado por órgão antitruste brasileiro
No Brasil, o Google também enfrenta questionamentos por práticas anticompetitivas. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) reabriu um inquérito sobre o uso de conteúdo jornalístico nos resultados de busca da plataforma.
A investigação, iniciada em 2019 e arquivada em 2024, foi retomada após manifestações de conselheiros e entidades da imprensa, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), que acusam o Google de desviar tráfego de sites jornalísticos ao exibir trechos e imagens de notícias, os chamados snippets, diretamente na busca.
A prática, segundo a ANJ, compromete a sustentabilidade econômica dos veículos ao reduzir o número de acessos e a receita publicitária. O caso brasileiro ganha relevância diante do crescente escrutínio global sobre o poder das big techs no mercado digital, especialmente em um momento em que decisões judiciais no exterior, como nos Estados Unidos, apontam para o uso abusivo da posição dominante da empresa.
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