Trump aposta em plataforma digital e parceria com a Pfizer para baratear remédios nos EUA

TrumpRx promete descontos diretos ao consumidor a partir de 2026, mas especialistas questionam eficácia da medida no bolso dos pacientes

Brasília, 1º de outubro de 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (30) um pacote de medidas voltado à redução dos custos de medicamentos no país. Entre as ações, está a criação do site TrumpRx, que permitirá aos consumidores acessar remédios com descontos, e um acordo inédito com a Pfizer para diminuir os preços de diversos produtos farmacêuticos.

Segundo o anúncio, a Pfizer será a primeira farmacêutica a adotar integralmente as exigências feitas pela Casa Branca em julho deste ano. A farmacêutica também concordou em adotar o modelo de “Nação Mais Favorecida”, fixando valores equivalentes aos menores praticados em mercados de comparação, como os do Canadá, da Alemanha e do Reino Unido.

Pelo novo acordo, a Pfizer disponibilizará remédios de uso comum e alguns medicamentos de marca com cortes que podem chegar a cerca de metade do preço quando comprados pelo TrumpRx. A empresa também expandirá sua produção nos Estados Unidos e, em contrapartida, terá um prazo de três anos de isenção em determinadas tarifas sobre importações.

Como funcionará o TrumpRx

Previsto para entrar no ar em 2026, o site não fará a venda ou distribuição direta de medicamentos. Em vez disso, os consumidores poderão buscar seus remédios e serão redirecionados para os canais de venda direta das próprias fabricantes.

A administração afirma que a plataforma garantirá maior transparência e acesso a preços mais baixos, mas especialistas apontam limitações, já que muitos pacientes dependem da cobertura de seguros de saúde e intermediários do setor, como as gestoras de benefícios farmacêuticos, que também influenciam os custos finais.

Reações e críticas

Embora Trump tenha destacado que sua iniciativa encerra a “era da exploração global às custas das famílias americanas”, especialistas em saúde questionam a real efetividade da medida. Especialistas ponderam, porém, que os cortes anunciados dificilmente aliviarão de forma expressiva o gasto final dos pacientes. Um exemplo citado é o Xeljanz, remédio para artrite reumatoide, que hoje custa mais de US$ 6 mil mensais e, mesmo com desconto, continuaria fora do alcance de grande parte dos usuários.

Além disso, há preocupações de que a política resulte em aumento dos preços em outros países para compensar as perdas no mercado americano, algo que já começa a ser sinalizado por algumas companhias internacionais.

Impactos para o setor

O anúncio ocorre em meio à ameaça do governo de impor tarifas de até 100% sobre importações de medicamentos de marca, salvo quando as farmacêuticas investirem em fábricas em solo norte-americano. Como contrapartida, a Pfizer declarou que deve direcionar cerca de US$ 70 bilhões para ampliar sua capacidade de pesquisa e de produção dentro dos Estados Unidos nos próximos anos.

Apesar do tom enérgico da Casa Branca, analistas do setor avaliam que, se esta for a principal medida adotada pelo presidente em relação ao preço dos medicamentos, o impacto sobre a indústria será limitado — e possivelmente favorável às próprias farmacêuticas.

Fonte: CNN

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