Brasília, 3 de novembro de 2025
A farmacêutica Pfizer entrou com um processo judicial contra a Metsera e a Novo Nordisk, alegando quebra de contrato após a empresa de biotecnologia norte-americana considerar a oferta da dinamarquesa como “superior”. O caso foi apresentado à Justiça de Delaware, nos Estados Unidos, e envolve uma disputa bilionária pelo controle de uma promissora desenvolvedora de medicamentos para perda de peso.
A Pfizer pediu à Justiça uma ordem restritiva temporária para impedir a Metsera de rescindir o acordo de fusão firmado entre as duas companhias. A farmacêutica também busca manter a votação dos acionistas da Metsera, marcada para o dia 13 de novembro, enquanto tenta renegociar os termos do negócio.
O processo foi aberto poucos dias após a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) conceder aprovação antitruste antecipada à proposta de aquisição da Metsera pela Pfizer, avaliada em US$ 7,3 bilhões. A decisão encerrou, antes do prazo previsto, o período de análise estabelecido pela legislação antitruste norte-americana.
Disputa começou em 2024
De acordo com o processo, o interesse por parte de Pfizer e Novo Nordisk na aquisição da Metsera remonta ao início de 2024. A dinamarquesa, conhecida pelos medicamentos Wegovy e Ozempic, busca recuperar espaço no mercado de tratamentos para obesidade, atualmente dominado por concorrentes como a Eli Lilly.
A Metsera desenvolve terapias experimentais que, segundo analistas, podem gerar até US$ 5 bilhões em receitas anuais. Já a Pfizer, que ainda não possui um medicamento para emagrecimento no portfólio, vê na aquisição uma oportunidade de entrar em um mercado estimado em US$ 150 bilhões e compensar a queda nas receitas ligadas à COVID-19.
Alegações de violação contratual e preocupações regulatórias
A Pfizer sustenta que a oferta mais recente da Novo Nordisk, de US$ 8,5 bilhões, constitui uma tentativa indevida de uma empresa dominante de eliminar a concorrência no setor. Além disso, acusa a Metsera de violar cláusulas contratuais de não solicitação, ao supostamente negociar com a Novo antes de formalizar a comunicação do novo lance.
O documento também aponta possível pré-coordenação entre as empresas, mencionando contatos da Novo Nordisk com autoridades dos EUA sobre questões regulatórias e um pedido de dispensa de conflito de interesse apresentado pelo escritório jurídico da Metsera — dias antes da proposta dinamarquesa vir a público.
Questões de segurança nacional e pedido de indenização
A Pfizer destacou em sua ação o fato de ser uma empresa americana e argumentou que a aquisição da Metsera pela Novo Nordisk, uma concorrente estrangeira, poderia atrair a atenção do Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos (CFIUS) — órgão que analisa transações internacionais sob a ótica da segurança nacional.
A farmacêutica pede que a Justiça declare que a proposta da Novo Nordisk não constitui uma oferta superior, além de solicitar indenização por danos e medidas cautelares contra a Metsera.
Fonte: Reuters
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