Delta e Aeroméxico tentam barrar decisão de Trump que obriga fim de aliança aérea

Companhias afirmam que medida dos EUA é arbitrária e pode gerar prejuízos bilionários
Delta e Aeroméxico tentam barrar decisão de Trump que obriga fim de aliança aérea
Companhias recorrem à Justiça para preservar parceria aérea entre EUA e México. Imagem: Delta Air Lines

Brasília, 27 de outubro de 2025

As companhias aéreas Delta Air Lines e Aeroméxico recorreram à Justiça norte-americana para tentar impedir uma decisão do governo Trump que determina o encerramento da parceria comercial entre as duas empresas. O pedido foi apresentado à Corte de Apelações do 11º Circuito, em Atlanta, na última sexta-feira (24).

O governo norte-americano, por meio do Departamento de Transporte dos Estados Unidos (USDOT), determinou em setembro que a aliança — existente há quase nove anos — deve ser desfeita até 1º de janeiro de 2026. O órgão alegou que a cooperação entre as companhias gera distorções no mercado e prejudica a concorrência em rotas entre os dois países.

Empresas alegam perdas e impacto na conectividade aérea

Na ação judicial, a Aeroméxico argumenta que o fim da parceria resultaria em custos operacionais altos e de difícil recuperação, mesmo que a Justiça posteriormente valide a aliança. A empresa afirmou que a decisão obrigará mudanças significativas em sua estrutura, como a separação dos sistemas de tecnologia usados em conjunto com a Delta e a criação de uma nova estratégia de marca nos Estados Unidos.

A Delta também afirma que a medida é excessiva e poderá comprometer a conectividade aérea entre os dois países. A companhia já cancelou dois voos entre os EUA e o México e indicou que novas rotas poderão ser suspensas no próximo verão caso a decisão não seja revertida. Segundo estimativas apresentadas ao tribunal, a dissolução da parceria poderia eliminar até US$ 800 milhões em benefícios anuais aos consumidores.

Autoridade americana mantém decisão e cita risco concorrencial

O USDOT rejeitou o pedido das companhias para adiar o cumprimento da medida e reafirmou que a parceria cria desequilíbrios no mercado, sobretudo em rotas partindo do Aeroporto Internacional da Cidade do México, considerado o quarto maior ponto de conexão internacional com os Estados Unidos.

De acordo com o órgão, a aliança confere “vantagens injustas” às empresas, que juntas concentram cerca de 60% dos voos de passageiros entre o México e os Estados Unidos, o que poderia resultar em tarifas mais altas e menor oferta de assentos.

Delta e Aeroméxico defendem competitividade do mercado

As companhias rebateram o argumento do governo e sustentam que o mercado aéreo entre os dois países segue amplamente competitivo. Elas apontam que detêm 20% da oferta de assentos, percentual semelhante ao da American Airlines, que possui 21%.

A Delta também criticou o tratamento dado à parceria, alegando que o USDOT tem aplicado regras mais rígidas em comparação a outras joint ventures, como a mantida entre United Airlines e All Nippon Airways (ANA), que seguem ativas.

Fonte: Reuters

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