Negociações entre EUA e China sobre TikTok enfrentam impasses técnicos e políticos

Discussões sobre transferência de controle do aplicativo levantam dúvidas sobre o futuro do algoritmo e a aprovação do Congresso norte-americano

Brasília, 17 de outubro de 2025

Após negociações comerciais em Madri, autoridades dos Estados Unidos e da China anunciaram nesta segunda-feira (13), um acordo preliminar que prevê a transferência da operação do TikTok para controle americano. O entendimento foi recebido com cautela, diante das incertezas sobre sua conformidade com a legislação aprovada pelo Congresso dos EUA em 2024, e sobre a possível cessão da tecnologia que sustenta o aplicativo.

Um dos maiores desafios é a transferência do algoritmo de recomendação da plataforma, considerado o principal ativo da ByteDance, controladora chinesa do TikTok. Durante negociações anteriores, autoridades de Pequim resistiram à ideia de permitir que a tecnologia deixasse o país, uma vez que ela é vista como estratégica para a indústria digital chinesa.

Desde 2020, quando o governo Trump tentou forçar a venda das operações do TikTok nos Estados Unidos, a China alterou suas regras de exportação para incluir tecnologias de recomendação algorítmica, dando ao governo poder de veto sobre transações desse tipo.

Exigência de conformidade com a lei de 2024

Mesmo que Pequim aceite a transferência, o novo acordo ainda precisará se adequar à lei norte-americana que obriga a ByteDance a se desfazer do TikTok ou enfrentar uma proibição no país. O texto foi aprovado pelo Congresso em 2024 sob o argumento de que os dados dos usuários norte-americanos poderiam ser acessados pelo governo chinês, abrindo espaço para riscos de espionagem e manipulação política.

O presidente Donald Trump, que desde então já prorrogou três vezes o prazo de aplicação da medida, vem sendo questionado por parlamentares democratas sobre a legalidade dessas extensões. Legisladores informaram que o novo acordo será submetido a uma análise rigorosa assim que for divulgado, para verificar se cumpre as exigências legais.

Participação chinesa ainda indefinida

Outro ponto de disputa é se a ByteDance manterá alguma fatia do TikTok após a conclusão da operação. Questionado sobre o tema, Trump afirmou que a questão “ainda não está decidida” e que pretende discutir o assunto com o presidente Xi Jinping nos próximos dias.

No Congresso, há resistência a qualquer arranjo que mantenha vínculos com a China. O senador Tom Cotton, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, já declarou que investidores americanos interessados no TikTok devem cortar completamente seus laços com o país asiático.

Atualmente, a ByteDance tem entre seus acionistas empresas norte-americanas como Susquehanna International Group, General Atlantic e KKR.

Estrutura do novo controle permanece incerta

A expectativa é que o desenho final da operação siga um modelo semelhante ao proposto em abril, que previa a criação de uma nova companhia com sede nos Estados Unidos e controle majoritário de investidores locais. No entanto, o avanço depende da aprovação de Pequim, que já demonstrou resistência após Washington anunciar novas tarifas sobre produtos chineses.

Sem detalhes concretos sobre como será estruturada a futura entidade responsável pelo TikTok nos Estados Unidos, o acordo segue como uma peça-chave — e ainda indefinida — nas complexas relações comerciais e tecnológicas entre as duas maiores economias do mundo.

Fonte: Reuters

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