Brasília, 18 de setembro de 2025
O embate comercial e tecnológico entre Estados Unidos e China voltou a impactar diretamente o setor de semicondutores. No centro desse conflito está a Nvidia, líder global em chips de inteligência artificial, que vê suas operações pressionadas por restrições impostas por Pequim e limitações de Washington.
O CEO da empresa, Jensen Huang, declarou nesta quarta-feira (17) que as duas potências “têm agendas maiores a resolver”, ao mesmo tempo em que a companhia tenta responder à crescente procura por seus semicondutores de IA, considerados estratégicos na disputa tecnológica entre os países.
A declaração foi feita em Londres, pouco depois de a imprensa noticiar que o órgão regulador da internet da China teria ordenado que grandes companhias de tecnologia suspendessem compras de chips da fabricante norte-americana, inclusive cancelando pedidos já em andamento.
Restrição chinesa e resposta norte-americana
Segundo o Financial Times, empresas como ByteDance e Alibaba receberam instruções para encerrar testes e encomendas do modelo RTX Pro 6000D, sucessor do chip H20, desenvolvido especificamente para o mercado chinês. A medida amplia restrições anteriores, que já limitavam a aquisição de versões avançadas dos semicondutores da Nvidia.
Essas ações acontecem em meio à escalada das tensões comerciais entre Pequim e Washington. Enquanto os EUA restringem a exportação de chips avançados por razões de segurança nacional, autoridades chinesas pressionam empresas locais a reduzir a dependência de fornecedores norte-americanos.
Impacto nos negócios da Nvidia
Em 2024, aproximadamente 13% da receita global da Nvidia veio do mercado chinês, sendo um dos maiores mercados para semicondutores. No entanto, a demanda pelos modelos adaptados às regras de exportação, como o RTX6000D, tem sido considerada fraca e pouco competitiva em custo.
A instabilidade já refletiu no mercado, já que as ações da Nvidia, avaliada em mais de US$ 4,2 trilhões, caíram 2,6% nesta quarta-feira. Além disso, a empresa enfrenta uma investigação preliminar em Pequim por suposta violação das leis antitruste locais.
Pressão política e lobby crescente
Em paralelo às restrições, Huang afirmou que seguirá “em apoio ao governo chinês e às empresas chinesas, conforme desejarem”. Nos bastidores, a Nvidia tem ampliado sua atuação política em Washington. No primeiro semestre de 2025, gastou quase US$ 1,9 milhão em lobby, quase três vezes o total desembolsado em todo o ano anterior.
Em agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a autorizar um acordo incomum que concedia à Nvidia licença para vender o chip H20 à China, em troca de 15% do valor das vendas. Apesar disso, a empresa não chegou a entregar os produtos, à espera de regras claras do governo norte-americano sobre a operacionalização do pagamento.
Fonte: Reuters
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