FTC processa empresa de revenda de ingressos por burlar limites de compra online

Operação mirava grandes shows, incluindo turnê de Taylor Swift

Brasília, 19 de agosto de 2025

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) ajuizou uma ação contra o grupo Key Investment Group, acusado de adotar táticas ilegais para burlar os sistemas de segurança da Ticketmaster e adquirir ingressos muito acima dos limites estabelecidos. Os bilhetes eram revendidos por preços significativamente superiores, prática que teria rendido milhões de dólares à empresa.

Segundo a denúncia, a empresa operava um esquema que utilizava milhares de contas, muitas delas falsas ou compradas, além de números de cartão de crédito virtuais e endereços de IP mascarados para enganar os sistemas de verificação da Ticketmaster.

Em apenas um ano, o grupo teria adquirido cerca de 379 mil ingressos, desembolsando aproximadamente US$ 57 milhões e revendendo parte deles por US$ 64 milhões.

Caso emblemático: show do The Eras Tour

Um exemplo citado pela FTC envolve um show da cantora Taylor Swift em Las Vegas, em março de 2023. Apesar do limite de seis ingressos por pessoa, a Key Investment Group teria usado 49 contas diferentes para comprar 273 bilhetes, revendidos depois por mais de US$ 119 mil. Segundo a Reuters, no total, só com a turnê de Swift, a empresa teria faturado mais de US$ 1,2 milhão na revenda de 2.280 ingressos.

A ação aponta infrações à Better Online Ticket Sales (BOTS) Act, lei que proíbe a utilização de meios tecnológicos para burlar os sistemas de proteção contra compras em massa de ingressos. A FTC afirma que a prática prejudica consumidores, que enfrentam preços inflacionados e dificuldade de acesso a eventos de grande demanda.

Pronunciamento e reação do mercado

O Key Investment Group negou irregularidades e acusou a FTC de ampliar de forma indevida o alcance da lei. A empresa alega que nunca utilizou “bots” e que suas práticas não configuram violação ao BOTS Act. Em julho, o grupo chegou a ingressar com uma ação judicial para tentar barrar a investigação.

Apesar de não se tratar de um processo antitruste, o caso reforça a crescente pressão regulatória sobre o mercado de eventos ao vivo. A Ticketmaster e sua controladora, Live Nation, já enfrentam ações paralelas por suposto abuso de posição dominante no setor.

Próximos passos

A queixa foi apresentada na Corte Distrital Federal de Maryland e será analisada pela Justiça. Segundo a FTC, o processo tem como objetivo assegurar que consumidores possam disputar ingressos em condições justas, sem a interferência de intermediários que manipulam o sistema para maximizar lucros.

Fonte: FTC

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