IA: Novo debate na Câmara aborda infraestrutura e sandbox regulatório no Brasil

A Comissão Especial sobre Inteligência Artificial (IA) da Câmara dos Deputados realizará, na próxima terça-feira (19), uma audiência pública para discutir infraestrutura tecnológica, fomento à inovação e o uso de sandboxes regulatórios como ferramenta estratégica para o desenvolvimento seguro e competitivo da IA no Brasil.

O encontro, marcado para as 10h no Plenário 2 do Anexo II, reunirá representantes do governo, setor privado, academia e organizações da sociedade civil. A audiência atende a requerimentos de parlamentares de diferentes partidos, incluindo: Reginaldo Lopes (PT-MG), Lucas Ramos (PSB-PE), Mendonça Filho (União-PE), Luizianne Lins (PT-CE), David Soares (União-SP), Adriana Ventura (Novo-SP) e Helio Lopes (PL-RJ).

O que é um sandbox regulatório

O sandbox é um ambiente experimental que permite testar novas tecnologias e modelos de negócio sob supervisão de órgãos reguladores, com regras flexibilizadas e por tempo limitado. Na prática, funciona como um “laboratório jurídico”, permitindo avaliar riscos, impactos e oportunidades antes da adoção de um marco regulatório definitivo.

Esse modelo já é usado com sucesso em setores como finanças (Bancos Centrais), telecomunicações e inovação digital, e tem potencial de acelerar a implementação de soluções de IA no país, sem comprometer a segurança jurídica ou os direitos dos cidadãos.

Os desafios da regulação de IA

Segundo estudo da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, elaborado por Claudio Nazareno, regular a IA é um desafio global que exige equilíbrio entre inovação e responsabilidade.

Entre os principais riscos apontados no relatório estão:

  • Viés algorítmico – dados e códigos refletem preferências e limitações de seus desenvolvedores, podendo distorcer resultados;
  • Alucinações – termo que classifica as respostas completamente inventadas por sistemas de IA;
  • Erros críticos – acidentes envolvendo carros autônomos e até incidentes fatais, como o exemplo levantado pelo estudo: a morte de um trabalhador na Coreia do Sul confundido por um robô com caixas de produtos.

A análise reforça que, além de infraestrutura e investimentos, a regulação deve considerar aspectos éticos, culturais e linguísticos, uma vez que a predominância do inglês na internet pode influenciar vieses e interpretações.

Próximos passos no Legislativo

Instalada em 20 de maio, a Comissão Especial é presidida pela deputada Luisa Canziani (PSD-PR) e tem como relator o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Além da audiência do dia 19, a pauta futura inclui debates sobre impactos da IA nas relações de trabalho, responsabilidade civil por danos e governança ética.

Dois requerimentos adicionais já estão protocolados:

  1. Inclusão de Leandro Alvarenga Miranda, diretor jurídico da Associação Nacional de Bureaus de Informação (ANBI), em audiência pública.
  2. Realização de encontro específico para discutir “Impactos da Inteligência Artificial nas Relações de Trabalho – Desafios e Perspectivas”, com a participação de órgãos públicos, universidades e entidades de trabalhadores.

Importância estratégica para o Brasil

Para especialistas, o Brasil tem condições de se tornar referência global em regulamentação de IA, especialmente se investir em infraestrutura digital, capacitação profissional e mecanismos de teste controlado como os sandboxes.

A audiência de 19 de agosto será um passo para construir um marco regulatório sólido e alinhado às práticas internacionais, capaz de posicionar o país de forma mais competitiva na economia digital.

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