EUA e União Europeia fecham acordo comercial com tarifa de 15%

Entendimento evita escalada tarifária, mas gera críticas sobre impacto à soberania tecnológica europeia

Brasília, 30 de julho de 2025

Após meses de negociações intensas, os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram, no último domingo (27), um esboço de acordo comercial que estabelece uma tarifa uniforme de 15% sobre a maioria das exportações europeias aos EUA. A medida substitui a ameaça anterior de uma tarifa de 30%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

Segundo o presidente Donald Trump, a alíquota de 15% incidirá sobre produtos como automóveis, vinhos, medicamentos e semicondutores. Em contrapartida, foram eliminadas tarifas sobre bens estratégicos, como partes de aeronaves, alguns produtos agrícolas, recursos naturais e matérias-primas críticas.

Ainda conforme o anúncio, a União Europeia se comprometeu a comprar US$ 750 bilhões em energia dos EUA e a ampliar investimentos em produtos militares norte-americanos.

Críticas sobre desequilíbrio e dependência tecnológica

Apesar de ter evitado uma guerra comercial, o acordo foi duramente criticado por grupos europeus. A European DIGITAL SME Alliance, que representa mais de 45 mil pequenas e médias empresas de tecnologia na Europa, alertou que a medida reforça a dependência da UE em relação a fornecedores americanos. Segundo a entidade, o pacto “se baseia na narrativa enganosa de déficit comercial dos EUA”, ignorando o fato de que a Europa importa mais de €300 bilhões em serviços digitais dos EUA todos os anos.

Além disso, compromissos de importação de chips de IA e gás natural liquefeito (GNL) dos EUA podem desviar investimentos de setores estratégicos europeus e enfraquecer o desenvolvimento de uma infraestrutura digital própria.

Regulações europeias permanecem intactas

Um ponto de atrito nas negociações foi a tentativa dos EUA de obter concessões sobre regulações tecnológicas europeias, como o Digital Services Act, o Digital Markets Act e a Lei de Inteligência Artificial. As propostas foram rejeitadas pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou não haver qualquer compromisso sobre regulação ou tributação digital no acordo.

Com isso, empresas americanas como Meta e Apple continuam sujeitas às regras e penalidades previstas na legislação europeia. Em abril, ambas foram multadas em centenas de milhões de euros por descumprimento do DMA.

Próximos passos

Ainda não há um documento jurídico definitivo sobre o acordo — apenas uma estrutura preliminar. Detalhes finais, como a aplicação de tarifas sobre bebidas alcoólicas e aço, devem ser definidos em novas rodadas de negociação nas próximas semanas.

Apesar de o presidente Trump ter celebrado o pacto como o “maior da história”, analistas apontam que a ausência de um texto legal gera incertezas e exige cautela. Já a União Europeia, ao priorizar a estabilidade econômica, vê no acordo uma forma de evitar novos choques tarifários em meio a um cenário global instável.

Fonte: The Washington Post

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