Plano de Trump para IA promete liderança global e eliminação de regulações

Proposta reúne mais de 90 medidas para garantir supremacia dos EUA na inteligência artificial

Brasília, 24 de julho de 2025

O presidente Donald Trump apresentou nesta quarta-feira (23) o America’s AI Action Plan, documento que estabelece a estratégia do governo dos Estados Unidos para garantir a liderança global do país no desenvolvimento e uso da inteligência artificial (IA). Estruturado em três pilares — inovação, infraestrutura e diplomacia — o plano apresenta uma série de medidas voltadas à aceleração do setor, com forte ênfase em desregulamentação, segurança nacional e protagonismo internacional.

Além de estabelecer metas ambiciosas para o avanço da inteligência artificial, o plano destaca o papel estratégico dessa tecnologia na reindustrialização do país, na defesa nacional e na manutenção da supremacia tecnológica frente a rivais geopolíticos. Segundo o governo norte-americano, a tecnologia deve impulsionar descobertas científicas, criar novas formas de arte e comunicação, e elevar o padrão de vida da população. Para isso, a Casa Branca defende uma atuação coordenada entre setor público, iniciativa privada e instituições acadêmicas, com foco em rapidez, escala e segurança no desenvolvimento de soluções baseadas em IA.

Estímulo à inovação com menos barreiras regulatórias

O primeiro eixo do plano visa impulsionar a inovação por meio da remoção de entraves regulatórios e do incentivo a modelos de IA de código aberto. O governo propõe revisar normas federais que dificultem o avanço da tecnologia, com atenção especial ao ambiente regulatório de cada estado. Também sugere reavaliar investigações e decisões anteriores da Comissão Federal de Comércio (FTC) que possam ter imposto restrições excessivas ao setor.

O plano também propõe que os sistemas de IA priorizem a liberdade de expressão e se mantenham livres de “viés ideológico”, especialmente nos contratos firmados pelo governo. Há ainda estímulo ao uso de modelos abertos por pequenas empresas, pesquisadores e instituições públicas, com ampliação do acesso a poder computacional de alta escala.

Expansão de infraestrutura com foco em segurança e desburocratização

O segundo pilar trata da construção de uma ampla infraestrutura voltada ao ecossistema de IA. O governo americano pretende acelerar a instalação de data centers, fábricas de semicondutores e fontes de energia por meio da flexibilização de exigências ambientais, como a criação de exceções à Lei Nacional de Política Ambiental (NEPA). Terras federais poderão ser destinadas à construção dessas instalações, com garantias de segurança contra interferências estrangeiras.

Outro ponto central é a modernização da rede elétrica do país para atender à alta demanda energética da IA. O plano prevê investimentos em fontes confiáveis, como energia nuclear, e a reforma dos mercados de energia para estimular a estabilidade da rede.

Aliança global e restrições à influência chinesa

No campo internacional, os Estados Unidos pretendem exportar seu modelo tecnológico completo — incluindo hardware, softwares e padrões regulatórios — a países aliados, consolidando uma aliança estratégica em torno da IA. Ao mesmo tempo, o plano prevê o reforço de controles de exportação para impedir que adversários acessem chips e tecnologias sensíveis, com foco na contenção da influência chinesa em fóruns multilaterais de governança da IA.

Além disso, há diretrizes para ampliar a capacidade de resposta a incidentes envolvendo IA, desenvolver protocolos contra deepfakes no sistema de justiça e proteger inovações comerciais e governamentais de ameaças cibernéticas.

O plano ainda faz críticas a propostas de regulação promovidas por organismos como ONU, OCDE, G7 e G20  por defenderem agendas culturais “incompatíveis com os valores americanos”.

Visão estratégica

Assinado por altos conselheiros do governo, o documento defende que a IA pode inaugurar uma nova era de revoluções industrial, informacional e científica simultâneas, e que vencer a corrida tecnológica global é uma questão de segurança nacional. 

“A corrida da IA é dos Estados Unidos para vencer, e este plano é o nosso mapa para a vitória”, afirma o texto.

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