CADE prioriza mercado de combustíveis e reforça combate a cartéis até 2026

Nova portaria intensifica investigações sobre possíveis práticas anticoncorrenciais no setor

Brasília, 23 de julho de 2025

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) publicou nesta quarta-feira (23) Portaria que elege o mercado de combustíveis líquidos como prioridade para os exercícios de 2025 e 2026. A medida busca fortalecer a promoção da livre concorrência e reprimir práticas anticoncorrenciais em um setor considerado estratégico para a economia nacional e para o bem-estar do consumidor.

Segundo a Portaria nº 379/2025, a Superintendência-Geral da autarquia deverá priorizar investigações de cartéis e condutas colusivas no setor, em especial em mercados de distribuição e refino. O Departamento de Estudos Econômicos (DEE) também foi acionado para atualizar filtros econométricos e estudos sobre o mercado, com destaque para a revisão do Caderno Setorial de Combustíveis.

Indícios de condutas anticoncorrenciais

A decisão do CADE também foi motivada por informações encaminhadas pela Advocacia-Geral da União (AGU), com base em análises do Ministério de Minas e Energia (MME). 

Entre os casos analisados, destaca-se a atuação da Refinaria da Amazônia (REAM), na Região Norte. Segundo as investigações preliminares, a refinaria teria praticado preços superiores à média nacional e paralisado suas atividades por um período atípico de 12 meses. 

Já nas Regiões Sul e Sudeste, as análises indicam que empresas da cadeia de distribuição de GLP, como a Companhia Ultragaz, teriam reduzido suas demandas junto à Petrobras, mesmo com aumento significativo das margens de lucro — o que pode revelar um padrão de comportamento por parte dos agentes do setor.

Coordenação interinstitucional e escuta pública

A portaria determina que o Conselho busque maior articulação com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Receita Federal, secretarias estaduais de Fazenda, o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério Público, a Advocacia-Geral da União (AGU), além da Polícia Federal e polícias estaduais. O objetivo é aprimorar o compartilhamento de dados, inclusive de notas fiscais eletrônicas, e ampliar a base de evidências para futuras investigações.

Ainda este ano será realizada uma audiência pública para discutir os problemas concorrenciais do setor de combustíveis líquidos. O evento contará com representantes da academia, empresas do setor, órgãos reguladores, entidades de defesa do consumidor e da sociedade civil. Além disso, está prevista uma campanha institucional para divulgar o programa de leniência do CADE e incentivar denúncias por meio do “clique denúncia”.

Reação institucional: foco no consumidor

Segundo o presidente do CADE, Gustavo Augusto Freitas de Lima, “ao promover essas ações, o CADE reafirma seu compromisso com a escuta ativa da sociedade e de instituições parceiras para intensificar a investigação e o combate a possíveis cartéis no setor de combustíveis, contribuindo para um ambiente econômico mais competitivo”.

Este conteúdo é apenas para associados .
Cadastre-se
Already a member? Inicie sessão aqui

Leia mais notícias do CADE:

Conselheiro do CADE aprofunda investigação no mercado farmacêutico 

CADE aprova, sem restrições, permuta de ativos entre Shell e Total Energies


Um oferecimento:

PATROCINADOR: DOU DO CADE

Compartilhe nas redes sociais