Conferência Anual do BCB de 2025 debateu temas importantes da economia contemporânea

A Conferência Anual 2025 do BCB evidenciou três mensagens centrais: a busca por políticas monetárias transparentes e alinhadas às evidências; a integração de inovação digital e sustentabilidade; e o fortalecimento da competitividade e governança no sistema financeiro nacional, com continuidade de iniciativas estratégicas rumo à resiliência econômica e social.

Leandro Oliveira Leite

Entre os dias 14 e 16 de maio de 2025, em Brasília, o Banco Central do Brasil (BCB) promoveu sua Conferência Anual, reunindo economistas, acadêmicos e autoridades globais para debater temas centrais da economia contemporânea. Com mais de 42 trabalhos acadêmicos selecionados dentre 330 submissões, o evento contou com brilhantes palestras magnas, com destaque para Jean Tirole (Prêmio Nobel de Economia) e Frank Smets, do Banco de Compensações Internacionais (BIS)[1].

Na abertura, Jean Tirole abordou a regulação de mercados em um contexto globalizado e digital, enfatizando como macrodados e algoritmos impõem novos desafios para a política de concorrência. Michael McMahon, da Universidade de Oxford, focou nos efeitos de choques (como energia e tensões geopolíticas) e sobre a regulação macroprudencial necessária para blindar o sistema financeiro diante de adversidades externas[2].

O encerramento destacou-se pela palestra de Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS, que analisou a inflação nos EUA no pós-pandemia, atribuindo-a sobretudo à combinação expansionista de políticas fiscais e monetárias[3]. Smets apresentou evidências de estudos econômicos propondo que o superaquecimento inflacionário tem raízes na expansão fiscal, gerando reflexos diretos na dinâmica dos preços, ciclos econômicos e expectativas de diversos agentes.

A conferência revelou a crescente convergência entre inovação tecnológica e políticas econômicas. Foram amplamente discutidos sistemas como o Pix, o Open Finance e o projeto Drex (CBDC), bem como seus impactos na eficiência, inclusão financeira, interoperabilidade e desafios regulatórios. Especialistas internacionais avaliaram a importância da colaboração entre países para garantir governança e segurança em pagamentos digitais.

A sustentabilidade também mereceu destaque, vários painéis exploraram a integração de riscos climáticos à regulação financeira e avaliaram práticas ESG no sistema formal, temas alinhados à presidência brasileira do G20 e sua Trilha de Finanças. A criação do Centro de Excelência em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do BCB foi citada como instrumento-chave para fortalecer as análises econômicas e a supervisão prudencial.

Durante o evento, foram apresentados os novos parâmetros prudenciais, alavancagem individual e maior exigência de liquidez solo, com implementação prevista entre 2025 e 2028, em conformidade com as recomendações de Basileia III. A governança corporativa e técnicas de mitigação de riscos, especialmente creditícios, também integraram a programação.

A inclusão financeira foi reforçada por evidências do sucesso do programa “Aprender Valor”, que já alcançou 5,6 milhões de alunos em mais de 3.000 municípios, ressaltando a necessidade de qualidade, e não apenas quantidade, no acesso aos serviços financeiros, em linha com compromissos do G20.

O uso de inteligência artificial e ciência de dados ganhou novo impulso, com o CdE IA[4] do BCB sendo citado como resposta às crescentes necessidades de processamento e supervisão de grandes volumes de informações econômicas e financeiras.

Também enfatizou-se a relevância de Open Data, interoperabilidade internacional e governança de dados, fundamentais para fortalecer a concorrência e a inovação no mercado financeiro, conforme discutido na Trilha de Finanças do G20.

A Conferência contou com a participação de renomadas instituições globais como BIS, IMF, BCs do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Chile, além de representantes acadêmicos ligados a Oxford, Cambridge, USP e FGV. Essa diversidade reforça o caráter técnico e multidisciplinar do evento.

Ao promover o intercâmbio entre academia, mercado e poder público, reforça-se a reputação institucional e aprimora-se as bases técnicas da formulação de políticas públicas. A conferência se consolidou como espaço estratégico para reflexões que já moldam o horizonte regulatório até 2029.

A Conferência Anual 2025 do BCB evidenciou três mensagens centrais: a busca por políticas monetárias transparentes e alinhadas às evidências; a integração de inovação digital e sustentabilidade; e o fortalecimento da competitividade e governança no sistema financeiro nacional, com continuidade de iniciativas estratégicas rumo à resiliência econômica e social.


[1] Programação e gravações do evento: https://www.bcb.gov.br/en/about/events/75

[2] With the Participation of Nobel Laureate in Economics Jean Tirole, Brazil’s Central Bank Kicks Off 2025 Annual Conference | Wyss – Lei do Bem, PD&I e Incentivos Fiscais Federais

[3] Frank Smets

[4] Centro de Excelência de Ciência de Dados e Inteligência Artificial (CdE IA): https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20292/noticia


Leandro Oliveira Leite. Servidor público federal, analista do Banco Central do Brasil (BCB), atualmente trabalhando no CADE na área de condutas unilaterais, possui graduações em Administração, Segurança Pública e Gestão do Agronegócio e especialização em Contabilidade Pública. Tem experiência na parte de supervisão do sistema financeiro e cooperativismo pelo BCB, bem como, já atuou com assessor técnico na Casa Civil.


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