Os movimentos dos candidatos no processo eleitoral: a busca pelos eleitores do centro.

Editorial

Estamos à beira das eleições majoritárias no Brasil e nada mais interessante que apresentarmos algumas curiosidades das eleições no sistema de democracia representativa, sendo a principal delas a aproximação dos candidatos às políticas típicas do seu oponente.

De uma maneira geral, as eleições democráticas são preenchidas por candidatos à direita, à esquerda e ao centro. Nada diferente do que vemos nestes dias que antecedem o pleito eleitoral brasileiro.

Em geral, o processo eleitoral pode ser representado por um segmento de reta como o candidato da esquerda (E) se posiciona à esquerda, como era de se esperar, e o candidato de direita (D) se posiciona à direita. Nada mais obvio!!

A figura 1 apresenta um segmento de reta que representa as preferências dos eleitores em relação aos candidatos. Neste segmento de reta, eleitores à esquerda de E são eleitores que se alinham com os ideais de esquerda (vermelho escuro), eleitores à direita de E são eleitores que se alinham com os ideais de esquerda (vermelho claro), mas que são simpáticos a políticas menos restritas de esquerda à medida que caminha para a direita. O mesmo acontecendo com os eleitores que estão à direita de D (se alinham com os ideiais de direita – azul escuro) e com os eleitores que estão a esquerda de D (são simpáticos a políticas menos restritivas de direita – azul claro).

No lançamento da campanha, os candidatos posicionam as suas políticas para atender o seu núcleo, de maneira que o candidato de esquerda apresenta políticas compatíveis com políticas sociais, por exemplo, e o candidato da direita apresenta políticas compatíveis com políticas, por exemplo, da responsabilidade fiscal.

Fonte: Epstein (1997)[1]

Uma vez posicionados, o natural dos políticas é tentar conquistar aqueles eleitores que se encontram na área representada pelo segmento de reta que está a direita de E e a esquerda de D. Este contingente, que é bastante volumoso, é representado por eleitores mais pragmáticos, que estão dispostos a abrir mão de ideologias em troca de “segurança” econômica. Neste caso, os eleitores que estão entre E e C estão dispostos a trocar candidatos da esquerda ideológica por candidatos do centro e eleitores que estão entre C e D estão dispostos a trocar candidatos de direita ideológica por candidatos de centro, conforme mostra a figura 2.

Portanto, não nos assustemos com os movimentos da esquerda na direção dos empresariado nem com os movimentos da direita na direção do trabalhador. Estes são movimentos esperados e compatíveis com o processo democrático. É importante ressaltar que os eleitores estão distribuídos ao longo dos segmentos de reta das figuras 1 e 2 e o processo democrático impõe a vitória pela maioria. Logo, conquanto os candidatos sejam oriundos de bases ideológicas, eles sabem que contingentes ideológicos puros não garantem maioria.

O aceno ao centro é o caminho natural!!!


[1] EPSTEIN, Isaac. O paradoxo de Condorcet e a crise da democracia representativa. Estud. av. 11 (30) • Ago 1997. Disponível em: SciELO – Brasil – O paradoxo de Condorcet e a crise da democracia representativa O paradoxo de Condorcet e a crise da democracia representativa. Acesso em: 31.07.2022.

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