As taxas de juros vindouras: a quimioterapia da PEC das bondades

Editorial
A partir do dia 1º de agosto as novas alterações constitucionais advindas da PEC das bondades, também chamada de PEC kamikaze para quem preferir, entram em vigor. Já nos debruçamos sobre a importância deste tema para socorrer os brasileiros e brasileiras que estão passando fome e jogamos alguma luz sobre as consequências desta política para os anos vindouros.
Que a conta chegará, não há dúvidas!! E que o as taxas de juros serão elevadas para colocar a inflação na meta também parece não haver dúvidas.
Somente para relembrar, desde 1999, quando o câmbio no Brasil passou a ser flutuante, foi instituído o regime de metas de inflação pelo Banco Central do Brasil. De uma maneira simples, o regime de metas de inflação é o instrumento utilizado para fazer a inflação convergir para um determinado percentual a partir da alteração nas taxas de juros, com a ideia de que elevações nas taxas de juros deslocam os recursos do investimento físico para o investimento em instrumentos financeiros, fazendo com que a atividade econômica se reduza e, consequentemente, a inflação também.
Parece fácil a solução, certo? Errado!!!
Como tudo na economia, a alteração de uma variável sensível, como é a taxa de juros, gera trade offs, ou, no bom português, escolhas terão que ser feitas e, nesse caso, a escolha principal acontece sobre o nível de emprego e sobre a produção industrial.
Não há mágica!! A PEC das bondades hoje significa elevação de taxas de juros no ano que vem. O efeito da elevação da taxa de juros na economia não é diferente do que acontece com a aplicação de quimioterapia em um paciente, pois o medicamento, em que pese atacar a doença, gera efeitos colaterais sobre o organismo humano que podem ser tão mortais quanto a própria doença.
