Auxílio Brasil, Bolsa Família etc: programas ainda não compreendidos

Sábado | 25 de junho de 2022
Nos últimos dias tem se observado um esforço do governo federal no sentido de ampliar os benefícios sociais, quer seja por meio de propostas de ampliação do valor do auxílio Brasil quer seja por meio de outros benefícios como o auxílio caminhoneiro.
Que é nobre a intenção de ajudar os mais necessitados, principalmente àqueles que estão abaixo da linha da pobreza, disso não temos dúvidas. As dúvidas, no entanto, ficam por conta da eficácia da política. Quais são os efeitos reais para a sociedade?
Conforme afirmado anteriormente, o atendimento de curtíssimo prazo aos mais necessitados gera efeitos imediatos, sobretudo para aqueles que estão passando fome, pois, parafraseando o sociólogo Betinho[1]: “Quem tem fome tem pressa”.
Conquanto se possa considerar que matar a fome no curto prazo seja a atitude mais nobre que se possa tomar em regime de emergência, as consequências de médio e longo prazo não são menos importantes. Aqui aproveitamos para parafrasear o importante economista norte-americano Milton Friedman[2]: “Não existe almoço grátis”. Um dia a conta chega e quem é que pagará por ela?
Um programa de transferência de renda, como o é Auxílio Brasil e como foi descontinuado o Bolsa Família, tem efeitos intertemporais que são desconhecidos ou desconsiderados por aqueles que os formulam, sendo que estes efeitos podem ser remédio ou veneno para a sociedade, dependendo da “dose” em que são aplicados.
Teoricamente, um programa de transferência de renda tem efeitos intertemporais, na medida em que, se bem planejado, ele ultrapassa a geração beneficiada e desemboca de forma efetiva na terceira geração ou, dizendo de outra forma, mata a fome da primeira geração e define um melhor destino para a terceira geração (melhor nível educacional, oportunidades etc).
Nada mais nobre que “matar” a fome! No entanto, é preciso não esquecer que a fome “nasce” todos os dias. Políticas de transferência de renda de emergência têm seus benefícios, mas os efeitos intertemporais de uma política mal planejada cobram os seus custos. Não esqueçamos!!!
