CADE analisa aquisição da Mecasul pela Savar Veículos

A operação está em análise na SG do CADE e envolve sobreposições horizontais e integrações verticais, mas empresas defendem ausência de riscos concorrenciais.

Brasília, 2 de outubro de 2025

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) recebeu para análise o ato de concentração referente à aquisição da totalidade das ações da Mecasul Auto Mecânica S.A. pela Savar Veículos Ltda. Classificada como aquisição de controle, a operação foi notificada em procedimento ordinário. 

As empresas defendem que a transação representa uma oportunidade estratégica para ampliar a eficiência operacional, otimizar custos e aumentar a disponibilidade de produtos e serviços no mercado de veículos pesados no Rio Grande do Sul.

As empresas envolvidas

A Savar Veículos, integrante do Grupo Savar, atua na comercialização de veículos pesados da marca Mercedes-Benz, além de oferecer serviços de pós-venda, produtos financeiros, revenda de pneus e a venda de veículos leves novos e usados. O grupo tem presença em municípios como Porto Alegre, Novo Hamburgo e Pelotas.

Já a Mecasul Auto Mecânica, também revendedora Mercedes-Benz, atua na comercialização de caminhões, ônibus e vans novos, bem como de seminovos pesados multimarcas. A empresa mantém concessionárias em Caxias do Sul, Nova Santa Rita, Santa Maria, Garibaldi e Ijuí, além de oferecer serviços de manutenção, seguros, financiamentos e revenda de pneus.

Concentrações horizontais e verticais

De acordo com o formulário submetido ao CADE, a operação gera sobreposições horizontais no mercado de comercialização de veículos pesados novos — caminhões, ônibus e vans —, principalmente na Região Metropolitana de Porto Alegre e em outras áreas do Rio Grande do Sul.

Há ainda sobreposições residuais em serviços de pós-venda, oferta de produtos financeiros e distribuição de pneus. No campo vertical, a operação conecta a venda de veículos pesados à oferta de financiamento, seguros e manutenção especializada.

Impactos concorrenciais

As companhias argumentam que as sobreposições e integrações resultantes não devem levantar preocupações concorrenciais. De acordo com a notificação, o mercado de veículos pesados apresenta elevada rivalidade e clientes altamente especializados, como transportadoras e empresas de logística, que possuem amplo poder de barganha e costumam buscar as melhores condições comerciais em diferentes localidades.

No caso da revenda de pneus e de serviços de pós-venda, as empresas destacam que se trata de atividades secundárias em relação ao negócio principal. Além disso, apontam que o setor de pneus é marcado por forte concorrência de marcas rivais e pelo aumento das importações, sobretudo de países asiáticos.

Próximos passos no CADE

Com a notificação formalizada, a análise cabe à Superintendência-Geral do CADE, responsável por avaliar os efeitos concorrenciais da operação. As companhias solicitam que a aquisição seja aprovada sem restrições, conforme os critérios previstos na Lei de Defesa da Concorrência (Lei nº 12.529/2011).

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