Competição entre rotas aéreas regionais

Artigo de opinião

Raul Sandoval Cerqueira

Rotas aéreas nacionais

(Ilustração extraída de GeoAISWEB – Visualizador de Mapas (decea.mil.br) em 20/03/2024)

O início das operações aéreas regulares regionais, muito desejado em diversos aeroportos de pequeno porte por todo o país, é um evento incerto, que depende da configuração socioeconômica da localidade, das condições físicas do aeroporto e, um fator menos comentado, mas relevante, da disponibilidade de aeronaves para serem alocadas nas rotas, incluindo tripulação, equipe em solo e recursos para sua operação.

Com poucas companhias aéreas e essas sempre em condição de grande endividamento e consequente limitação da capacidade de aumento da frota, tem-se um mercado no qual as aeronaves encontram-se alocadas nas rotas mais seguras e rentáveis, alcançando em 2023 o Load Factor médio nos voos domésticos no mercado nacional de 81,4% (IATA, 2024).

Nesse cenário, novas rotas têm de apresentar condição superior às rotas existentes e serem capazes de motivar a decisão de realocação do uso da aeronave, com a consequente redução de sua frequência na rota tradicional. Sob esse paradigma, cabe à localidade onde existe um aeroporto interessado em tal serviço, preparar-se da melhor forma possível para se tornar mais interessante do que uma outra rota concorrente. Mesmo no caso de eventual aumento de frota de aeronaves, a rota precisará ser mais atrativa do que outras ainda não operadas.

Incentivos como a redução do ICMS do combustível atrelada à obrigação de operação de rotas regionais tem se mostrado eficazes na ampliação da oferta de aeronaves disponíveis, o que se observa em alguns estados brasileiros como Santa Catarina e São Paulo, entre outros. No contexto federal, por sua vez, a proposta ministerial de implementação de uma política de crédito para as aéreas pode ser o incentivo faltante para ampliar a malha aérea regional, alcançando públicos mais distantes.

Quanto aos operadores de aeroportos regionais, cabe questionar se já estão preparados para operar com segurança as novas rotas, se já sabem quais são as rotas de interesse a serem incluídas em seus planos e quais são as principais rotas concorrentes.


Raul Sandoval Cerqueira

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