A força de trabalho em Karl Marx
Sábado | 07 de maio de 2022
Continuando com a semana do trabalhador, apresentaremos neste editorial uma visão geral do importante trabalho de Karl Marx de nominado “O Capital[1]”, publicado em meados do século XIX.
O século XIX foi um celeiro de ideias para grandes autores tratarem da economia e de seus fatores de produção. Neste período vale mencionar as importantes obras de Thomas Malthus, John Stuart Mill e David Ricardo.
Estes três autores, para citar alguns, são egressos da escola clássica utilitarista de Jeremy Benthan[2] e seus livros foram escritos na primeira metade do século XIX, período em que as ideias de Adam Smith[3] estavam em plena efervescência na Europa.
Para se ter uma ideia da importância deste período, basta verificar o entendimento de Thomas Malthus em sua obra Um ensaio sobre o princípio da população[4]. Quem não conhece a célebre frase cunhada por Malthus de que “a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética” para dizer que parte da população não sobreviveria ao novo paradigma se a taxa de crescimento da população não fosse contida”.
A efervescência do pensamento econômico chegou a Karl Marx, que publicou na metade do século a sua obra prima “O Capital”, sendo o foco principal o efeito do capital sobre o trabalho, demonstrando que a Revolução Industrial e todo o movimento do capital expropriava os rendimentos do trabalho, também chamado de “mais valia”.
Para Karl Marx, a circulação simples de mercadorias representada por Mercadoria-Dinheiro-Mercadoria (M-D-M), em que o indivíduo vendia a mercadoria (M) e ganhava dinheiro (D) para adquirir bens necessários a sobrevivência (alimentos). Este sistema acontecia nas épocas pregressas a revolução industrial, em que o trabalhador tinha controle do seu tempo e das suas ferramentas de trabalho.
Com a revolução industrial, o sistema passou a ser representado por dinheiro-mercadoria-dinheiro (D-M-D`), situação em que o valor do dinheiro (D) era utilizado para adquirir a mercadoria (M), sendo esta revendida no mercado em troca de um valor D`. De maneira bastante direta, a diferença entre os dois valores D` e D é o que se convencionou chamar de capital e o detentor deste capital de capitalista.
A força de trabalho é aplicada por Marx neste modelo de circulação de mercadorias como sendo uma daquelas a serem utilizadas para que o capitalista amplie o seu capital. No entanto, a força de trabalho não é uma mercadoria inerte, mas sim uma mercadoria viva e, portanto, que possui particularidades bem distintas daquelas existentes para mercadorias comuns.
A teoria do valor trabalho aborda a força de trabalho como o instrumento de viabilidade para a formação do capital e a separa dos demais meios de produção. A partir deste entendimento cria-se o conceito de mais-valia, que é, em apertada síntese, a diferença entre o valor da força de trabalho excedente empreendida na produção e o valor da mercadoria vendida.
[1] MARX, Karl. O capital, Volume I – Trad. J. Teixeira Martins e Vital Moreira, Centelha – Coimbra, 1974.
[2] BENTHAM, Jeremy. An Introduction to the Principles and Morals and Legislation. Disponível em: Bentham, Jeremy (1748-1832). An introduction to the principles of morals and legislation : printed in the year 1780 and now first published. 1789. (koeblergerhard.de). Acesso em: 06.05.2022.
[3] SMITH, Adam. An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, Volume 2. Disponível em: An Inquiry into the Nature ands Causes of the Wealth of Nations (ibiblio.org). Acesso em: 06.05.2022.
[4] Malthus, An Essay on the Principle of Population: Library of Economics” (description), Liberty Fund, Inc., 2000, EconLib.org webpage: EconLib-MalPop.
