CADE analisa aquisição da FiBrasil pela Telefônica em rito ordinário
Negócio reforça presença da Telefônica no mercado de fibra ótica e também deve ser avaliado pela Anatel

Brasília, 25 de agosto de 2025
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/CADE) recebeu para análise, sob rito ordinário, a operação em que a Telefônica Brasil S.A. passa a deter controle integral da FiBrasil Infraestrutura e Fibra Ótica S.A. O negócio envolve a aquisição, pela Telefônica, das ações que pertenciam à Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) e à Fibre Brasil Participações S.A., equivalentes a 50% do capital social total e votante da FiBrasil.
Segundo a notificação do ato de concentração, a medida não deve provocar eliminação da concorrência nem criar posição dominante, já que a FiBrasil já fazia parte do grupo Telefónica. Assim, a transação é apresentada como uma reorganização societária que preserva a estrutura concorrencial existente.
Quem são as empresas envolvidas
A Telefônica Brasil, integrante do grupo espanhol Telefónica, atua nacionalmente na prestação de serviços de telecomunicações, como telefonia fixa e móvel, banda larga, TV por assinatura e serviços digitais, além de prover infraestrutura de rede para terceiros. Em 2024, a companhia registrou faturamento de R$ 55,8 bilhões no país.
Já a FiBrasil foi criada em 2020 e até então era controlada conjuntamente pela Telefônica e pelo grupo CDPQ. A empresa opera como provedora de infraestrutura de redes de fibra ótica em modelo neutro, atendendo provedores de internet e operadoras de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) que compartilham sua rede para levar conectividade aos clientes finais. Em 2024, a FiBrasil registrou receita de R$ 498,9 milhões.
Mercados afetados pela operação
Segundo a notificação, a operação representa apenas a consolidação de controle da FiBrasil pela Telefônica, sem alteração significativa na dinâmica concorrencial. A principal relação entre as empresas ocorre na integração vertical entre a infraestrutura de rede no atacado — fornecida pela FiBrasil — e a oferta de serviços de banda larga fixa (SCM) pela Telefônica.
De acordo com o documento, não há sobreposição horizontal entre as atividades, uma vez que a FiBrasil não presta serviços diretamente ao consumidor final. A operação é considerada neutra do ponto de vista concorrencial, já que mantém o cenário pré-existente antes da entrada da CDPQ no capital da empresa.
Próximos passos
Além da análise pelo CADE, a operação também está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Caso seja aprovada, a Telefônica assumirá o controle integral da FiBrasil, em um movimento descrito pela empresa como estratégico para aumentar a eficiência no uso de sua rede de fibra ótica, sem impacto negativo à concorrência.
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