CADE aprova 61 atos de concentração em março e aponta crescimento de 49% em relação a março de 2024

Relatório revela avanço expressivo nas operações de fusões e aquisições, com destaque para setores de energia, saúde e tecnologia

Brasília, 07/04/2025

O cenário econômico brasileiro continua aquecido em 2025. Em março, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou 61 operações de atos de concentração (ACs), conforme o Relatório de Atos de Concentração divulgado pela WebAdvocacy. Esse número representa um crescimento de 49% em comparação ao mesmo mês de 2024, quando foram registradas 41 aprovações.

Rito sumário prevalece, mas efeitos concorrenciais seguem expressivos

Gráfico mostrando a porcentagem entre ritos sumários e ordinários. Imagem: Relatório de Atos de Concentração – WebAdvocacy

A grande maioria das operações aprovadas em março de 2025 foi considerada de menor complexidade: 93% seguiram o rito sumário, reservado a casos com baixo risco concorrencial, enquanto apenas quatro processos foram analisados pelo rito ordinário, que demanda investigação mais detalhada. No perfil das transações destacaram-se as aquisições de controle, com 35 registros, seguidas pela aquisição de ativos, que somaram 14 casos. Apesar da simplicidade processual, 52% dos atos envolveram sobreposição horizontal, ou seja, empresas atuando no mesmo mercado. Já a integração vertical esteve presente em 43% das operações, refletindo impactos relevantes na cadeia produtiva.

Casos de maior relevância: energia, saúde e tecnologia em destaque

Setores estratégicos movimentam o mercado de fusões e aquisições em março de 2025.
Imagem: Divulgação

Entre as operações mais relevantes julgadas por rito ordinário, estão a aquisição da Thermotite do Brasil pela Vallourec Tubular Solutions e a compra da Intelsat pela SES S.A., envolvendo o mercado de telecomunicações via satélite. Já no setor imobiliário, a Plano & Plano S.A. adquiriu ativos do Piemontese Fundo de Investimento.

Já nos casos aprovados por rito sumário, destacam-se:

  • A aquisição de empresas de tratamento de resíduos pela Veolia Serviços Ambientais.
  • A consolidação da Verallia SA pelo Kaon Investment Fund.
  • A aquisição de ativos da Cemig pela Âmbar Hidroenergia Ltda.
  • A compra de ativos da Kimberly-Clark pela Klabin S.A., no setor industrial.

Diversidade de setores e tipos de operação

O setor de saúde registrou movimentações estratégicas, como a aquisição do CURA – Centro de Ultrassonografia pela Alliança Saúde e Participações S.A. e a participação do Bradesco na RCB Investimentos. Já no setor energético, a Eneva adquiriu ativos da Companhia Hidroelétrica do São Francisco e a Copel ampliou sua atuação com a compra da Geração Céu Azul S.A.

O levantamento ainda evidencia a diversidade dos setores envolvidos: agronegócio, logística, supermercados, imóveis, música, educação, publicidade e biotecnologia. Houve desde fusões e incorporações até aquisições pontuais de ativos e reestruturações societárias, como a celebrada entre a Daiichi Sankyo e a Merck para o desenvolvimento de medicamentos oncológicos.


O relatório de março sinaliza um forte aquecimento no mercado brasileiro de fusões e aquisições, acompanhado de um ambiente regulatório que mantém vigilância ativa sem comprometer a fluidez dos negócios. A agilidade no julgamento dos casos reflete a capacidade do CADE de acompanhar a dinâmica do mercado e promover segurança jurídica aos agentes econômicos.

Fonte: Relatório de Atos de Concentração – WebAdvocacy, março de 2025.

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